PF investiga bancos privados e ex-diretores das Lojas Americanas em processo sobre fraude de R$ 24 bilhões
Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo

Foto: Divulgação
A Polícia Federal (PF) lançou, na manhã desta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, com o intuito de aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis que evidenciaram um rombo estimado em R$ 24 bilhões nas Lojas Americanas. As informações são da coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles.
Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão nesta nova fase, que tem como principais alvos: ex-executivos da companhia, integrantes do grupo controlador da varejista e executivos de alguns dos maiores bancos privados do país. Confira identidade dos investigados:
- Alexandre Abdo, executivo do Santander;
- André Almeida, executivo do Santander;
- Carlos Alberto Sicupira, um dos acionistas de referência e controlador da Americanas;
- Carlos Henrique Villela Pedras, executivo do Bradesco;
- Eduardo Saggioro, ex-integrante do conselho da varejista;
- Gustavo Balassiano, executivo do Itaú
- José Rudge, executivo do Itaú;
- Paulo Alberto Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração - da companhia;
- e Sérgio Rial, ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas.
Os cumprimentos dos mandados judiciais incluem buscas pessoas, em endereços do Rio de Janeiro e em São Paulo. As ações da PF contam com auxílio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Durante as buscas, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. O montante é o estimado nas supostas fraudes apontadas pelos laudos técnicos periciais obtidos na investigação.
A primeira fase da Operação Disclosure foi lançada em junho de 2024, há quase dois anos. Na ocasião, o ex-presidente da rede, Miguel Gutierrez, e o ex-CEO João Guerra Duarte Neto, estavam entre os alvos.
Gutierrez, que possui cidadania espanhola, chegou a ser preso em Madri, na Espanha, ainda em junho, mas foi solto no dia seguinte sob condição de cumprimento de medidas cautelares.
Esquema
Segundo revelado pela PF, os alvos da investigação teriam conhecimento das supostas fraudes contábeis praticadas ao decorrer de vários anos e da forma como elas eram registradas nos informes financeiros da companhia.
A corporação pontua que um dos principais focos da investigação está relacionado ao risco sacado, prática em que instituições financeiras antecipam pagamentos a fornecedores. A PF analisa se essas operações foram contabilizadas de forma irregular, o que apontaria para a incerteza quanto a percepção sobre o endividamento da companhia.
A investigação também busca evidenciar se parte das chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC), remunerações comerciais encaminhadas por fornecedores para ações de publicidade, teriam sido registradas com valores artificialmente inflados, para simular melhores resultados financeiros apresentados ao mercado.
Segundo a PF, as supostas manipulações têm o papel de ocultar dívidas, inflar receitas e mostrar receitas incompatíveis com a real situação da empresa.
As apurações ainda indicam que os executivos, na época, recebiam bônus milionários vinculados ao desempenho financeiro da companhia e lucravam com a valorização artificial das ações negociadas na Bolsa. Diante das evidências, há suspeita de que os investigados sejam responsáveis por crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
Até o momento, as defesas dos investigados ainda não se manifestaram sobre a nova fase da Operação Disclosure.


