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PF pediu apreensão de passaporte de Flávio Bolsonaro 7 minutos após derrota nas urnas

Moraes autorizou a apreensão, executada na manhã de segunda-feira.

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PF pediu apreensão de passaporte de Flávio Bolsonaro 7 minutos após derrota nas urnas

Foto: Charles Vieira

A Polícia Federal (PF) pediu a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apenas sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar matematicamente a derrota do senador na disputa pela Presidência da República. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a medida ainda na noite de domingo, 25.

A apreensão foi executada na manhã de segunda-feira, 26, quando Flávio visitava o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A representação da PF, divulgada pelo jornal O Globo, tem 16 páginas e foi assinada digitalmente às 21h16 de domingo. O sistema do TSE havia confirmado o resultado às 21h09.

O pedido foi fundamentado em informações sobre a relação do senador com uma empresa sediada em Portugal e em declarações de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, sobre a possibilidade de deixar o Brasil caso Flávio perdesse a eleição.

Por que a PF pediu a apreensão do passaporte?

Um dos argumentos apresentados pela Polícia Federal envolve a Alcazar Holding, empresa mantida pelo advogado Willer Tomaz na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo a representação, Flávio Bolsonaro figurou como “usuário master” de uma conta vinculada à companhia até maio de 2025.

Outro ponto considerado pela PF foi uma declaração de Eduardo Bolsonaro feita em 23 de outubro, durante entrevista a um podcast. Na ocasião, ao mencionar uma fala de Lula sobre a possibilidade de Flávio perder a eleição e passar a ser investigado, Eduardo afirmou: “Se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país.”

A representação também cita a permanência de Willer Tomaz nos Estados Unidos desde 25 de agosto, sem previsão de retorno. Segundo a PF, o advogado “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”.

Senador é investigado em apuração sobre lavagem de dinheiro

Willer Tomaz é investigado em dois inquéritos derivados da operação Sem Desconto, que apura desvios em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Um dos procedimentos, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga negócios do advogado com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), suspeito de envolvimento no esquema ao lado de Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O segundo inquérito, relatado por Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo recursos recebidos da Loterj, por meio da empresa de pagamentos Rio Pag e de outras companhias, incluindo empresas de apostas. Flávio Bolsonaro é um dos alvos dessa investigação, que ainda está em fase inicial.

De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, Willer Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em apostas em plataformas de apostas esportivas no ano anterior ao relato.

A PF também apontou que Flávio viajou dos Estados Unidos para o Brasil, em janeiro de 2025, em um jato Legacy 500 do qual a Alcazar Holding detinha participação de 33,3%.

Outro cotista da aeronave era Daniel Vorcaro. Segundo informações atribuídas à própria Polícia Federal, ele cedeu sua participação a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, como pagamento por serviços advocatícios não especificados.

Flávio Bolsonaro acusa Moraes de perseguição política

A apreensão do passaporte provocou críticas de integrantes da campanha do PL, que interpretaram a medida como uma possível retaliação política ao senador após o resultado eleitoral.

Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, 26, Flávio contestou os fundamentos apresentados para a decisão e afirmou que não havia defendido deixar o país caso perdesse a disputa presidencial.

“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar o meu passaporte? Isso é Justiça?”, questionou.

Na sequência, o senador também criticou o momento em que a medida foi autorizada.

“E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo após o resultado da eleição. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”, declarou.

O Supremo Tribunal Federal foi procurado pela equipe da coluna para esclarecer o horário em que Moraes assinou a decisão sigilosa, mas não informou o momento exato.

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