Polícia investiga se delegada teria comprado estabelecimento para lavar dinheiro do PCC
Layla Lima Ayub e seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz foram presos na sexta-feira (16)

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam a suspeita de que a delegada Layla Lima Ayub e o namorado dela, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, tenham adquirido uma padaria para lavar dinheiro do crime organizado. O casal foi preso na última sexta-feira (16), durante a Operação Serpens, que apura vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as investigações, os dois teriam comprado uma padaria localizada no bairro Jardim Itapemirim. O contrato de aquisição do estabelecimento, apreendido na operação, prevê o pagamento de R$ 40 mil. As autoridades apuram se o negócio foi utilizado para ocultar recursos de origem ilícita.
Jardel Neto Pereira da Cruz, de 29 anos, já havia sido apontado pelo Ministério Público, em 2021, como um dos responsáveis pela expansão do PCC na região Norte do país, especialmente no Pará, onde a facção rival Comando Vermelho predominava. Ele foi preso novamente em 2023 após fugir do regime semiaberto e, nesta sexta-feira (16), acabou detido pela terceira vez.
Segundo a promotoria, Dedel deixou a cidade de Marabá (PA) sem autorização judicial, o que configurou descumprimento das condições da liberdade condicional.
Layla Lima Ayub tomou posse como delegada no dia 19 de dezembro. Antes de ingressar na Polícia Civil, ela atuava como advogada criminalista e defendia pessoas acusadas de integrar organizações criminosas. A Corregedoria da Polícia investiga se a relação profissional mantida por ela com antigos clientes ultrapassou os limites da advocacia.
Mesmo após assumir o cargo, Layla ainda teria exercido a advocacia. No dia 28 de dezembro, ela representou quatro suspeitos de integrar o Comando Vermelho durante uma audiência de custódia. Em depoimento à corregedoria, a delegada classificou a atuação após a posse como um “erro” e afirmou que tinha conhecimento do envolvimento do companheiro com o PCC.
As investigações avançaram após a análise de redes sociais, que indicaram que Dedel planejava se mudar definitivamente para São Paulo para morar com Layla. A partir dessas informações, a polícia localizou e prendeu o casal. O caso segue sob apuração das autoridades competentes.


