Prefeita cancela nomeação da própria filha como chefe de gabinete de Cansanção
Nomeação tinha sido publicada na última sexta-feira (16)

Foto: Reprodução/Redes sociais
A prefeita de Cansanção, Vilma Gomes (MDB), cancelou a nomeação da própria filha, Pollyanna Gomes, como chefe de gabinete do município, localizado no nordeste da Bahia. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município da última quinta-feira (22), seis dias depois da nomeação.
Pollyanna foi nomeada na sexta passada (16), sem detalhes sobre sua formação profissional, os critérios para a escolha ou a remuneração prevista. Em seguida, a prefeitura veio a público informar que ela é formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, e que foram levadas em consideração suas formação acadêmica, experiência profissional e capacidade de gestão.
A nomeação de familiares de autoridades públicas para cargos na administração é uma prática que pode configurar nepotismo.
Família chegou a ser condenada
Em 2024, Vilma, o esposo Ranulfo Gomes — prefeito do município de 2008 a 2016 — e Pollyanna, que é filha do casal, foram condenados por lavagem de dinheiro. Vilma, que se autointitula 'Mamãe do povo', tem 64 anos e está no segundo mandato consecutivo à frente da prefeitura de Cansanção, após ter sido eleita em 2018 e reeleita em 2022.
Segundo informações do Ministério Público Federal (MPF), o trio fez parte de um esquema de corrupção que movimentou mais de R$ 26 milhões entre 2011 e 2014. Em agosto de 2024, Vilma e Pollyanna foram condenadas pela Justiça Federal a sete anos, um mês e 15 dias de prisão, cada uma; Ranulfo, por sua vez, foi condenado a nove anos, dez meses e três dias de prisão.
As condenações foram resultado da Operação Making Of, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2015, com o objetivo de investigar suspeitas de fraudes em contratos firmados entre a prefeitura de Cansanção e empresas ligadas ao então prefeito e seus familiares.
À época, Vilma era secretária municipal da Saúde, e Pollyanna geria uma das empresas investigadas, Taveira Comercial de Combustíveis. Conforme a Justiça Federal, os envolvidos usaram contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas para movimentar os valores e dificultar a identificação da origem do dinheiro.
Foram constatadas, ainda, irregularidades em licitações municipais, como falta de competitividade e restrições à participação de outras empresas. Os três recorrem das decisões em liberdade.
De acordo com a Justiça Federal, considerando todas as sentenças já proferidas contra o ex-prefeito em decorrência da operação, o total da pena acumulada por ele até 2025 chega a 73 anos, dez meses e três dias de reclusão, além de multas e da obrigação de devolver valores desviados.


