Presidente do Cuiabá apoia fim das bets e diz que clubes "usaram mal" dinheiro das plataformas "só aumentaram salário de jogador"
Cristiano Dresch disse que preferiu não aceitar patrocínios de casas de apostas para o time, "Viciam a pessoa e destroem as famílias. Não é algo saudável"

Foto: Divulgação
Cristiano Dresch, sócio-proprietário do Cuiabá desde 2011 e presidente do clube há três anos, assumiu uma postura contrária às bets e declarou apoio à medida provisória assinada pelo presidente Lula (PT) proibindo a operação das casas de apostas. O empresário disse que prefere manter um time sem um patrocinador master a ter que aceitar propostas do setor. A declaração foi feita em entrevista ao jornal Estadão.
Durante a gestão de Dresch, o Cuiabá contou com uma parceria com a Luck.bet, que foi encerrada com menos de um ano, no fim de 2022. O sócio-proprietário disse que o time recebia R$ 800 mil da casa de apostas para poder estampar a marca no calção. Porém, desde então ele decidiu que não seriam mais aceitas propostas de plataformas de apostas.
“Permanecemos na Série A em 2023 e 2024 e tivemos muita procura de bet querendo patrocinar o Cuiabá. O meu patrocínio valia R$ 15 milhões, eu pedia R$ 20 milhões, se valia R$ 10 milhões, eu pedia R$ 15 milhões. Sempre pedi um valor alto para não fazer negócio”, disse ao Estadão.
“Chegou um momento em que o Sicred, já afetado pela inadimplência que as bets causam, nos avisou que se colocássemos uma bet na camisa não iria renovar o patrocínio”, acrescenta ele, mencionando patrocinadora do clube desde 2015.
Para Dresch as bets viciam os apostadores e acabam destruindo famílias.
“O trabalhador ganha um salário mínimo e passa a gastar uma parte com aposta porque tem uma falsa ilusão no início. Isso viciou as pessoas”.
Ainda em entrevista, ele discordou do manifesto assinado por alguns times afrmando que o futebol brasileiro iria acabar com o fim das bets. Na opinião dele, os clubes não utilizam os recursos da melhor maneira.
“O futebol poderia ter feito bom uso desse dinheiro. O que os times fizeram com esse dinheiro? Aumentaram o salário de jogador. Só isso. Passou a transferir mais renda ainda para jogadores. Ninguém investiu em estrutura, ninguém pagou dívida”.


