Projeto social oferece capacitação profissional para jovens da periferia

Instituto Ser + visa reduzir a desigualdade racial na educação e no mercado de trabalho

[Projeto social oferece capacitação profissional para jovens da periferia]

FOTO: Getty Images

No Brasil, a desigualdade racial na educação e no mercado de trabalho ainda é um grande problema. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, na faixa etária entre 18 e 24 anos, pessoas brancas têm duas vezes mais chances de estarem na universidade ou de já terem concluído o ensino superior do que pretos e pardos. Com o objetivo de reduzir as desigualdades raciais e elevar a autoestima de jovens periféricos, o Instituto Ser + oferece capacitação profissional para jovens em situação de vulnerabilidade em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Além do ensino de capacitação para o mercado de trabalho, que envolve disciplinas como finanças, inglês e mercado financeiro, a organização, que já atendeu mais de 4.500 jovens, visa o desenvolvimento pessoal e social dos alunos. De acordo com a diretora de Diversidade do Instituto Ser +, Ednalva Moura, as atividades desenvolvidas no projeto focam na descoberta de talentos para que o jovem consiga descobrir suas próprias habilidades.

“As desigualdades já começam na questão das oportunidades. Muitos jovens ingressam no mercado de trabalho com uma defasagem na aprendizagem vinda de um ensino precarizado. Nós trabalhamos o autoconhecimento do jovem, além das questões teóricas. Nossos materiais focam na descoberta de talentos para que o indivíduo consiga descobrir suas próprias habilidades, se apropriar de sua própria história e elevar a autoestima”, afirmou Moura.

Douglas Augusto, de 20 anos, foi um dos jovens negros que aprendeu não somente o conteúdo, mas o quanto ele era capaz. “Antes da capacitação eu era uma pessoa que não tinha planos para o futuro, não sabia qual caminho seguir. Aprendi muita coisa que uso no meu trabalho e para o profissional que quero ser. Meu maior sonho é me tornar diretor executivo e quando eu penso no futuro, sei que posso conquistar esse cargo de liderança”, disse.

Andressa Santos, de 19 anos, fez uma capacitação voltada para tecnologia. Para ela, apesar das dificuldades impostas pelo racismo estrutural, as empresas estão olhando de uma forma diferente para os jovens negros da periferia.

“Nós somos os mais prejudicados da sociedade por conta dos estereótipos que foram construídos, mas estamos mudando isso, e as empresas estão se adequando e buscando por pessoas negras e mulheres. Me sinto mais confiante. Por conta dos últimos acontecimentos e uma conscientização maior, as empresas estão olhando de uma forma diferente para os jovens negros da periferia”, afirmou. 

Instituto Ser +

O projeto não se restringe a adolescentes e jovens negros. No instituto, jovens de 15 a 29 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, recebem formação integral focada no desenvolvimento pessoal, social e profissional.

O projeto conta com um corpo de professores especialista em questões étnico-raciais. Para o dia a dia, esses profissionais utilizam seus conhecimentos para mostrar aos jovens pretos e pardos que tudo é possível. Com esse intuito, desde 2020 o núcleo de diversidade da organização tem feito ações e eventos online sobre saúde mental, mercado financeiro e demais movimentos de diálogo e conscientização.

A instituição explicou ao Farol da Bahia que todos os programas são divulgados no site oficial e nas redes sociais. Os interessados no projeto podem realizar a inscrição (aqui).
 


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