Promotoria de Milão investiga esquema de festas com prostituição envolvendo jogadores do Inter e do Milan
Cerca de 50 jogadores da Série A italiana são citados em apuração que inclui exploração sexual, lavagem de dinheiro e uso de óxido nitroso

Foto: Reprodução/Pixabay
A promotoria de Milão abriu uma investigação sobre uma empresa suspeita de organizar festas com prostituição e uso de óxido nitroso, também conhecido como “gás do riso”. De acordo com o jornal Gazzetta dello Sport, aproximadamente 50 jogadores da Série A italiana são mencionados no caso, incluindo atletas do Inter de Milão e do Milan.
Segundo a apuração, os eventos ocorriam em hotéis e casas noturnas de alto padrão, tanto na Itália quanto na ilha de Mykonos. A organização teria base em Cinisello Balsamo e seria comandada por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, apontados como principais responsáveis pelo esquema.
Os dois estão em prisão domiciliar, assim como outros envolvidos, sob suspeita de organização de serviços sexuais e lavagem de dinheiro. Indícios da participação de jogadores incluem conexões com perfis da agência em redes sociais, além de movimentações financeiras identificadas durante a investigação.
Escutas telefônicas obtidas pelas autoridades também revelam negociações envolvendo mulheres estrangeiras. Em um dos áudios, um dos investigados afirma: “Vou mandar a brasileira para ele”.
A legislação italiana não criminaliza a prostituição voluntária, assim como ocorre no Brasil, mas considera ilegal a exploração e intermediação dessa atividade. A promotoria aponta que o grupo teria iniciado as operações em 2019 e mantido as festas inclusive durante a pandemia de Covid-19, com relatos de funcionamento de uma boate clandestina na sede da empresa.
Testemunhos indicam ainda que mulheres eram obrigadas a se prostituir e residiam no local, arcando com custos de estadia. Elas seriam selecionadas por clientes e ficariam com metade dos valores pagos, enquanto o restante seria destinado aos organizadores. A investigação estima que mais de 100 mulheres, de diferentes idades e nacionalidades, possam ter sido envolvidas.
De acordo com documentos do caso, participantes das festas também faziam uso de óxido nitroso, substância com efeito sedativo leve que provoca euforia e não costuma ser detectada em exames antidoping.


