PT pede ao TSE que Flávio seja responsabilizado por rede de ataques a Lula
Federação aponta atuação coordenada de 31 perfis e solicita a retirada de 67 publicações das redes sociais

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados | Ricardo Stuckert / PR
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quinta-feira (30), para pedir a responsabilização do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela divulgação de conteúdos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na ação, a federação afirma que Flávio ajudou a ampliar o alcance de uma rede coordenada de perfis anônimos ou sem identificação clara, responsável por produzir e compartilhar publicações ofensivas contra Lula, inclusive materiais elaborados com inteligência artificial.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foi sorteado relator do processo. Caberá a ele analisar os pedidos apresentados pela federação.
Segundo o levantamento entregue ao tribunal, foram identificados 31 perfis que participariam de um circuito de publicações colaborativas. Juntas, essas contas somam mais de 1,4 milhão de seguidores e fizeram 23.828 publicações no período monitorado.
A ação também aponta 67 conteúdos divulgados em colaboração entre diferentes perfis e pede a retirada dessas publicações. Ao considerar a audiência das figuras públicas que teriam replicado os materiais, a federação calcula que o alcance potencial da rede ultrapasse 10 milhões de seguidores.
Para os partidos, a gravidade do caso não está em uma publicação isolada, mas na repetição coordenada de mensagens semelhantes em diferentes contas. A federação sustenta que essa estratégia aumenta artificialmente a circulação das críticas e tenta criar a percepção de uma rejeição generalizada a Lula.
“A gravidade dessa arquitetura para a integridade do processo eleitoral não decorre de um post isolado, mas do efeito cumulativo da coordenação”, afirma a ação.
O documento cita como integrante da rede Léo Índio, primo dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também atribui apoio à divulgação dos conteúdos aos deputados federais Mário Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES), além de André Marinho (Novo), candidato ao governo do Rio de Janeiro.
A federação pede que os políticos sejam responsabilizados e que sejam aplicadas multas individuais por publicação. Também solicita a remoção dos 67 conteúdos analisados no processo.
Procurada pela Folha de S.Paulo, a equipe de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre a ação. Gilvan da Federal negou ter cometido irregularidades. As acusações ainda serão analisadas pelo TSE.
Esta não é a primeira ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança contra o uso de inteligência artificial na campanha de Flávio. Após a convenção do PL, os partidos também questionaram no TSE um vídeo que reproduziu artificialmente a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa da campanha sustenta que o conteúdo informava o uso da tecnologia e não poderia ser considerado uma falsificação enganosa.


