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Questões físicas, emocionais e sociais ainda recebem pouca atenção no cuidado à mulher idosa, alertam profissionais!

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Por Michel Telles
Às

Questões físicas, emocionais e sociais ainda recebem pouca atenção no cuidado à mulher idosa, alertam profissionais!

Foto: Divulgação

Às vésperas do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher - 28 de maio, especialistas alertam que viver mais não significa, necessariamente, envelhecer com mais saúde, autonomia ou qualidade de vida. As mulheres brasileiras têm maior expectativa de vida do que os homens e representam a maioria da população idosa no país, mas questões como funcionalidade, saúde mental, sexualidade e isolamento social ainda recebem pouca atenção no envelhecimento feminino.
 

“As mulheres vivem mais, porém nem sempre vivem melhor. Na prática geriátrica, vemos muitas pacientes que sobrevivem mais aos grandes eventos cardiovasculares e às doenças agudas, mas acumulam multimorbidades, fragilidade, osteoporose, sarcopenia e limitações funcionais ao longo do envelhecimento”, explica a geriatra, Ana Cristina Canedo, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Segundo Ana Cristina, ainda há questões muito frequentes e pouco discutidas no envelhecimento feminino, como perda de massa muscular, incontinência urinária, alterações do sono, depressão e isolamento social. “Muitas dessas condições acabam comprometendo independência, mobilidade e participação social da mulher ao longo do envelhecimento”, afirma.

A menopausa, muitas vezes tratada apenas como um marco hormonal ou ginecológico, também tem impactos importantes no longo prazo. “Hoje entendemos a menopausa como uma janela de oportunidade para prevenção e promoção de envelhecimento saudável. A queda hormonal interfere diretamente na saúde óssea, muscular, cardiovascular, cognitiva e emocional da mulher”, destaca Ana.

Para a especialista, envelhecer com mais autonomia e qualidade de vida depende de uma combinação de fatores físicos, emocionais e sociais. “Atividade física regular, alimentação adequada, estímulo cognitivo, sono de qualidade, vínculos sociais e acompanhamento médico ao longo da vida fazem diferença direta na funcionalidade e na independência da mulher”, reforça.

Sexualidade, autoestima e novos papéis também fazem parte do envelhecimento feminino

Para além das questões físicas, o envelhecimento feminino também envolve mudanças emocionais, sociais e na forma como a mulher se relaciona consigo mesma. Para a psicóloga e especialista em Gerontologia, Valmari Cristina Aranha, membro da Comissão de Formação Gerontológica da SBGG, o envelhecimento pode trazer perdas, mas também novas possibilidades de reconstrução, liberdade e redescoberta.

“Muitas mulheres chegam à maturidade mais seguras sobre quem são, com mais autonomia sobre o próprio corpo e menos presas às cobranças sociais que acompanharam outras fases da vida. O envelhecimento também pode ser uma oportunidade de reposicionamento e redescoberta”, afirma.
 

A especialista destaca que temas como sexualidade, prazer e autoestima ainda seguem cercados de tabus quando o assunto é mulher idosa, apesar das mudanças observadas nos últimos anos. “A sexualidade da mulher idosa ainda é pouco discutida porque durante muito tempo o desejo feminino foi reprimido e invisibilizado socialmente. Mas hoje, vemos mulheres redescobrindo o prazer, o afeto, a autoestima e o próprio corpo na maturidade”, explica Valmari.

Segundo ela, envelhecer com mais bem-estar e liberdade está diretamente relacionado ao autocuidado, à autoestima, à construção de vínculos e à capacidade de adaptação diante das mudanças da vida.“Envelhecer bem não significa buscar um padrão estético ou tentar permanecer jovem. Significa reconhecer o próprio corpo, cuidar da saúde física e emocional, manter propósito, autonomia e qualidade de vida dentro da própria realidade”, reforça.

Para as especialistas, o envelhecimento feminino precisa ser tratado de forma mais ampla dentro da saúde pública e da sociedade, especialmente diante do crescimento acelerado da população idosa no Brasil.

“Estamos vivendo uma feminização do envelhecimento. As mulheres já representam a maioria da população idosa, principalmente nas faixas etárias mais avançadas, e isso exige um olhar mais atento para funcionalidade, prevenção, saúde mental e suporte social ao longo da vida”, conclui Ana.

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