Seis clubes que defenderam bets no STF acumulam mais de R$ 1,3 bilhão em dívidas com a União
Botafogo lidera lista, seguido por Guarani e Fluminense; Vitória também participou da audiência, mas não aparece entre os devedores.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Seis dos 11 clubes que participaram da audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a proibição das apostas esportivas no Brasil possuem débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Juntos, os valores ultrapassam R$ 1,3 bilhão, segundo levantamento do Estadão com base nos registros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
O Botafogo aparece no topo da lista, com R$ 805,4 milhões em dívidas. Desse total, R$ 431,1 milhões são atribuídos ao Botafogo de Futebol e Regatas, entidade associativa, e outros R$ 374,3 milhões à SAF Botafogo, que está em recuperação judicial. Na sequência está o Guarani, que disputa a Série C, com R$ 224,7 milhões em débitos com o governo federal.
O Fluminense ocupa a terceira posição, com R$ 168,1 milhões, seguido pela Ponte Preta, que deve R$ 156,1 milhões. O Corinthians aparece com R$ 6,2 milhões, enquanto o Grêmio tem o menor valor entre os seis, com pouco mais de R$ 1,7 milhão. Segundo a PGFN, os débitos incluem pendências tributárias e não tributárias, como contribuições previdenciárias, FGTS e multas trabalhistas.
A situação financeira dos clubes também entrou no debate sobre a proibição das bets. Botafogo e Guarani argumentam que a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode agravar suas dificuldades devido à perda de patrocínios. Durante a audiência, o representante do Botafogo, Udo Secklemann, questionou a existência de evidências internacionais que sustentem a proibição como estratégia para combater o vício em apostas, o endividamento e o mercado ilegal.
O presidente do Fluminense, Mattheus Reis e Montenegro, reconheceu os riscos das apostas para as famílias, mas alertou para os impactos da proibição sobre os empregos ligados ao futebol, especialmente em clubes menores. Já o Grêmio afirmou que não defende as casas de apostas, mas pediu um período de adaptação para as equipes.
Ao todo, 11 clubes se uniram para defender a manutenção das casas de apostas e se opor à Medida Provisória do governo federal que proibiu a atividade: Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Grêmio, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa.
O Vitória também participou da audiência, ao lado de Flamengo, Cruzeiro, São Paulo e Portuguesa. Nenhum dos cinco aparece na lista de devedores da PGFN.
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