Sem citar Trump, Cármen Lúcia defende urnas e critica tentativa de interferência nas eleições
Ministra do STF afirmou que cabe apenas aos brasileiros as decisões do Brasil

Foto: Alejandro Zambrana/Secom TSE
Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, defendeu nesta segunda-feira (27) a democracia brasileira e afirmou que nenhum país deve interferir nas decisões tomadas pelo Brasil.
Durante o discurso, a magistrada ressaltou que cabe aos próprios brasileiros definir os rumos do país, por meio das eleições, e alertou para tentativas de enfraquecer as instituições democráticas.
"Há que haver espaços para que a gente caminhe e fortaleça a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia. (...) Somos nós que temos que falar o que é para nós no Brasil, o que nós queremos", afirmou.
A declaração foi feita durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Rio de Janeiro, e ocorre dias após o governo brasileiro negar o visto a dois diplomatas norte-americanos que, segundo reportagem do The Washington Post, viajariam ao país para questionar a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Defesa das urnas eletrônicas
Na mesma participação, Cármen Lúcia também voltou a defender a confiabilidade das urnas eletrônicas e associou a democracia ao direito de voto.
Ao comentar o lançamento de um livro sobre a Constituição, a ministra afirmou que, ao contrário dos regimes em que as decisões eram tomadas por monarcas, na democracia é a população quem define os destinos do país por meio das eleições.
"Antes era por um rei. Hoje o povo, pela sua mão, diz o que quer", declarou. "Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável. Feita pelo Brasil e pelo povo", disse.


