Teste comparativo: novo Kwid e-tech contra Dolphin Mini 2026
Colocamos os dois elétricos lado a lado

O mercado brasileiro de carros elétricos ganhou novos protagonistas entre os modelos mais acessíveis. Nesse cenário, dois nomes disputam diretamente a atenção de quem quer entrar no universo da eletrificação: Renault Kwid E-Tech e BYD Dolphin Mini.
O Farol da Bahia colocou os dois rivais lado a lado para comparar preço, autonomia, potência, recarga, dimensões e equipamentos, avaliando qual deles entrega o melhor pacote no segmento dos elétricos mais baratos do país.
A disputa coloca frente a frente propostas diferentes. De um lado está o Kwid E-Tech, que segue como o carro elétrico mais barato vendido no Brasil, com preço próximo de R$ 99.990. Do outro aparece o BYD Dolphin Mini, atualmente o elétrico mais vendido do país, partindo de cerca de R$ 119.900 na versão GS.
Diante desses números, surge a pergunta inevitável: o novo Kwid E-Tech consegue bater o Dolphin Mini?
Liderança de vendas favorece o modelo da BYD
Desde sua chegada ao mercado brasileiro, o Dolphin Mini passou a dominar o segmento de elétricos de entrada. O hatch compacto da montadora chinesa lidera com folga o ranking nacional de carros elétricos.
Somente em fevereiro, o modelo emplacou 4.874 unidades, volume superior ao de veículos consolidados do mercado brasileiro, como Honda City, Fiat Fastback e Jeep Compass.
Já o Kwid E-Tech continua atuando como alternativa de entrada, apostando principalmente no preço mais baixo para atrair consumidores interessados em migrar para um veículo elétrico.
A Renault já oferecia o modelo em uma geração anterior e agora tenta ampliar sua presença no segmento com a versão atualizada do hatch.
Desempenho e autonomia: vantagem para o Dolphin Mini
No campo técnico, o modelo da BYD apresenta números mais robustos.
O Dolphin Mini utiliza motor elétrico dianteiro de 75 cv e 13,8 kgfm de torque, alimentado por bateria de 38,8 kWh na versão GS. Com esse conjunto, a autonomia oficial chega a 280 km no ciclo do Inmetro.
Nos testes realizados pelo Farol da Bahia, porém, o hatch chegou a percorrer até 350 km em uso urbano, resultado favorecido pelo trânsito e pela regeneração de energia nas frenagens.
O Kwid E-Tech, por sua vez, aposta em um conjunto mais simples, com 65 cv de potência e bateria de 26,8 kWh, garantindo autonomia oficial de cerca de 180 km.
Em nosso teste com a nova versão, o modelo rodou 235 km até que a bateria atingisse 10% de carga.
Na prática, isso significa que o Dolphin Mini pode rodar cerca de 100 km a mais por carga, reduzindo a frequência de recargas no uso diário.
Dimensões e espaço interno
Outra diferença importante aparece no tamanho dos carros.
O Dolphin Mini é mais largo e tem entre-eixos maior, o que se reflete em melhor espaço interno. O modelo mede cerca de 3,78 m de comprimento, 1,71 m de largura e 2,50 m de entre-eixos, permitindo acomodar até cinco ocupantes.
O Kwid E-Tech, por outro lado, é mais compacto. O elétrico da Renault possui aproximadamente 3,73 m de comprimento, 1,58 m de largura e 2,42 m de entre-eixos, sendo homologado para quatro passageiros.
Apesar do porte menor, o Kwid leva vantagem no porta-malas, com cerca de 290 litros de capacidade, contra aproximadamente 230 litros do Dolphin Mini.
Equipamentos e conforto
Na lista de equipamentos, os dois modelos apresentam ofertas semelhantes, mas com diferenças importantes.
O Kwid E-Tech se destaca por trazer controle de cruzeiro adaptativo e um pacote ADAS mais completo, algo que o Dolphin Mini não oferece.
Por outro lado, o modelo da BYD apresenta melhor qualidade de acabamento, bancos mais confortáveis e sensação de maior espaço interno, fatores que tornam a experiência a bordo mais agradável.
Outro ponto a favor do Renault é a presença de estepe, enquanto o Dolphin Mini traz apenas kit de reparo de pneus, solução que muitos consumidores preferem substituir por um estepe convencional.
Preço continua sendo a principal arma da Renault
Se o Dolphin Mini leva vantagem em potência, autonomia e conforto, o Kwid E-Tech ainda tem um argumento importante: o preço.
O modelo da Renault segue como o elétrico mais barato vendido no Brasil, com preço próximo de R$ 99.990.
Já o Dolphin Mini parte de aproximadamente R$ 115 mil a R$ 120 mil, dependendo da versão, diferença que pode chegar a cerca de 20%.
Esse valor mais baixo ajuda a manter o Kwid competitivo entre consumidores que querem entrar no mundo dos carros elétricos com investimento menor.
Projetos diferentes explicam a diferença entre os carros
Embora disputem o mesmo segmento, os dois modelos seguem filosofias distintas.
O Kwid E-Tech é uma adaptação elétrica de um projeto originalmente desenvolvido para motor a combustão.
Já o Dolphin Mini nasceu desde o início como um carro elétrico, utilizando plataforma dedicada da BYD, algo que ajuda a explicar sua maior autonomia, melhor aproveitamento de espaço e desempenho superior.
Qual vale mais a pena?
No comparativo direto, o BYD Dolphin Mini entrega mais potência, maior autonomia e melhor conforto a bordo, fatores que ajudam a justificar o preço mais alto.
O modelo da BYD é mais potente, roda mais com uma única carga e oferece ambiente interno mais refinado, embora tenha porta-malas menor e não ofereça pacote ADAS.
Já o Renault Kwid E-Tech continua sendo a porta de entrada mais barata para a mobilidade elétrica no Brasil. O modelo mantém vantagem no preço e em alguns itens de assistência à condução, mas utiliza um projeto mais simples em comparação ao rival.
Mesmo assim, a disputa entre os elétricos acessíveis deve ficar ainda mais acirrada. O segmento já conta com modelos como Geely EX2 e deve receber novos produtos nos próximos anos, ampliando as opções para quem busca um carro elétrico de entrada.


