Titina Medeiros: entenda sobre o câncer de pâncreas, doença que causou a morte da atriz aos 48 anos!
Segundo o INCA, mais de 10 mil novos casos foram diagnosticados em um ano

Foto: Redes Sociais
Neste domingo (11), Titina Medeiros morreu aos 48 anos, em decorrência de um tumor no pâncreas. A atriz estava em tratamento oncológico há cerca de um ano.
A informação de seu falecimento foi confirmada por seus familiares pelas redes sociais. "Siga em paz. Por aqui, ficaremos lembrando dos momentos bons e rindo das presepadas que você fazia nos palcos e nas novelas. Te amo", concluiu sua irmã, Rejane Medeiros.
Natural de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, Titina fez carreira na TV e no teatro. Na Globo, a artista atuou em novelas como "Cheias de Charme” e “No Rancho Fundo”.
Entenda a doença
O pâncreas é um órgão fundamental no processo digestivo e no controle da glicemia. A maioria dos tumores malignos nesta região é classificada como adenocarcinoma, originado na parte exócrina do órgão, responsável por cerca de 90% dos casos.
“O câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado tardiamente porque seus sintomas iniciais são inespecíficos ou ausentes. Isso dificulta o tratamento e impacta negativamente as taxas de sobrevida”, explica Mauro Donadio, oncologista da Oncoclínicas.
Fatores de risco e sintomas
Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, pancreatite crônica, diabetes mellitus e histórico familiar da doença. Segundo o especialista, é possível agir preventivamente em alguns desses pontos.
“A obesidade, por exemplo, é um fator modificável. Estudos mostram que a perda de apenas 10% do peso corporal já reduz consideravelmente o risco de desenvolver vários tipos de câncer, inclusive o de pâncreas”, ressalta o oncologista.
Nos casos mais avançados, podem surgir sintomas como dor abdominal ou lombar, perda de peso, fraqueza, icterícia (olhos ou pele amarelados), urina escura, náuseas, trombose venosa profunda e agravamento súbito de um diabetes pré-existente.
Em pessoas com diabetes, Mauro Donadio comenta que cerca de 80% dos pacientes com câncer pancreático apresentam intolerância à glicose ou diabetes no momento do diagnóstico. "Hoje, sabemos que há uma via de mão dupla: o câncer pode induzir alterações metabólicas que levam ao desenvolvimento de diabetes, mas também há evidências de que a resistência à insulina e o próprio diabetes tipo 2, especialmente quando mal controlado, podem aumentar o risco de surgimento do tumor. Essa conexão reforça a necessidade de atenção especial nesse grupo, sobretudo quando há mudanças súbitas no controle glicêmico".
Diagnóstico e tratamento
A identificação precoce é um dos maiores desafios. É estimado que apenas 10% a 15% dos casos são descobertos em estágio inicial. O diagnóstico inclui exames laboratoriais, de imagem (como tomografia e ressonância) e, em alguns casos, biópsia.
“Quando conseguimos detectar o tumor em fase inicial e restrita ao pâncreas, a chance de sucesso no tratamento aumenta significativamente”, afirma o especialista.
O tratamento geralmente envolve cirurgia e quimioterapia. Em casos selecionados, a ordem tradicional é invertida: primeiro o paciente realiza a quimioterapia e depois é submetido à cirurgia.
“Essa abordagem tem demonstrado bons resultados. Ao reduzir o tumor com a quimioterapia, conseguimos facilitar a cirurgia e, muitas vezes, melhorar o prognóstico do paciente”, explica. Mauro Donadio.
Avanços e perspectivas
Apesar de ser uma doença desafiadora, os avanços em medicina personalizada e genética têm mudado o cenário.
“A oncologia tem evoluído rapidamente. Com a identificação de subtipos moleculares do câncer de pâncreas, conseguimos desenvolver terapias mais específicas e direcionadas. O futuro da oncologia pancreática é promissor”, finaliza o oncologista.


