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Trump chama pessoas que criticam acordo com o Irã de 'invejosas, más ou estúpidas'

Presidente americano tem sido alvo de críticas pelas concessões incluídas no acordo com o Irã

Por FolhaPress
Às

Trump chama pessoas que criticam acordo com o Irã de 'invejosas, más ou estúpidas'

Foto: Divulgação/Arquivo/Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta quinta-feira (18) de "invejosos, pessoas más ou estúpidos" aqueles que acreditam que o acordo com o Irã inclui concessões demais à República Islâmica.

"Esses tolos, que acham que eu não fui duro o suficiente com o Irã, quando o mercado de ações acaba de atingir um recorde histórico e os preços do petróleo estão despencando, são invejosos, pessoas más ou estúpidos", escreveu ele em uma publicação na plataforma Truth Social.

Trump tem sido alvo de críticas pelas concessões incluídas no acordo com o Irã, que envolvem a suspensão das sanções contra o regime e a previsão de um financiamento de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país do Oriente Médio, dinheiro que não deve ser oriundo de fundos americanos, segundo o acordo.

O presidente iraniano, por sua vez, saudou a assinatura do pacto. "Este é um documento histórico e uma mensagem de um Irã poderoso: a paz será alcançada sob a égide do respeito mútuo", escreveu Masoud Pezeshkian em uma publicação nas redes sociais.

O texto estabelece um prazo de 60 dias para que os países cheguem a um acordo final. O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou a realização das "primeiras negociações" entre as partes nesta sexta (19), perto da cidade de Lucerna.

"Continua previsto que EUA e Irã, assim como os mediadores, Paquistão e Qatar, reunirão-se amanhã [sexta] em Bürgenstock para as primeiras negociações sobre a aplicação do acordo", anunciou a pasta. O encontro já havia sido anunciado na terça e acontecerá em um hotel de luxo na região central do país.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, não confirmou a data, mas afirmou que "essas negociações técnicas começarão em algum momento deste fim de semana", desde que a equipe iraniana possa comparecer às conversas. "Esse ainda é o plano, mas isso pode mudar", disse ele, acrescentando que o Irã é um país difícil de negociar.

O documento assinado pelas partes também prevê o estabelecimento de um novo pacto nuclear referente ao programa iraniano. A agência de energia nuclear da ONU saudou nesta quinta o acordo assinado por Washington e Irã e afirmou que participará de discussões técnicas para a implementação do acordo.

"É bom que o memorando esteja pronto. Agora começa o trabalho técnico", disse Rafael Grossi, chefe da AIEA. "Agora cabe a nós sentar com nossos colegas americanos e iranianos e começar a formular medidas concretas que precisarão ser tomadas."

Ele afirmou que a magnitude do trabalho da AIEA será determinada pelas disposições finais do acordo e acrescentou que as conversas técnicas buscarão detalhar os princípios gerais.

"O fato de mencionarem que isso estará sob a supervisão e o controle da AIEA é muito importante, porque, em nossa conversa, o que faremos é definir o que precisamos ver e a que precisamos ter acesso", disse.

Com o anúncio da assinatura do acordo na quarta (17), navios voltaram a se movimentar no estreito de Hormuz. Vance disse que a Marinha dos EUA permitiu a passagem de mais de uma dúzia de embarcações para portos iranianos. "Portanto, também estamos cumprindo nossa parte na fase inicial do acordo no que diz respeito às Forças Armadas", afirmou.

O primeiro navio transportador de gás natural liquefeito (GNL) com bandeira francesa deixou o golfo Pérsico nesta quinta, atravessando o estreito, segundo dados da MarineTraffic. Além disso, três superpetroleiros com bandeira saudita, transportando seis milhões de barris de petróleo, atravessaram Hormuz também horas depois de Trump ter assinado o acordo com o Irã, mostraram dados de rastreamento.

Outros petroleiros também registraram suas posições atravessando o estreito em sistemas públicos de rastreamento de navios, após semanas em que as embarcações ocultaram suas viagens ao cruzar a hidrovia. As partidas de portos sauditas representaram as maiores movimentações pelo canal em semanas, de acordo com uma análise da agência Reuters sobre a movimentação de embarcações.

Mesmo com os primeiros passos do acordo de paz já em curso, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ameaçou nesta quinta retomar as ações militares dos EUA, além de determinar um novo bloqueio caso o Irã não cumpra os compromissos previstos no documento.

"O presidente ressaltou que estaremos preparados para retomar as ações se, dentro do cronograma dessas negociações, o Irã não fizer o que diz que fará", disse Hegseth em Bruxelas, após reunião com ministros da Defesa da Otan. "Se o Irã não cumprir o acordo, então temos plena capacidade de reimpor um bloqueio intransponível."

Já o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que futuras negociações com os EUA serão feitas de forma direta, "cara a cara". Em mensagem transmitida pela televisão estatal, ele disse também que o diálogo direto entre os dois países não significará uma aceitação das posições defendidas por Washington. "É evidente que as negociações cara a cara que serão realizadas no futuro não significarão aceitar o ponto de vista do inimigo."

O líder iraniano também disse ter aprovado o acordo firmado com os EUA apesar de ter manifestado uma "opinião diferente" sobre o entendimento. Khamenei não forneceu detalhes sobre suas ressalvas.

Foi a primeira manifestação pública do líder sobre o acordo para encerrar a guerra que começou no final de fevereiro.
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Veja uma síntese do acordo entre EUA e Irã:

EUA e Irã, junto a aliados, declaram fim imediato de todas as operações militares —inclusive no Líbano— e se comprometem a não iniciar novos conflitos nem ameaçar a soberania um do outro.

As partes se comprometem a respeitar a soberania e não interferir nos assuntos internos um do outro.

As partes têm até 60 dias (prorrogáveis) para chegar a um acordo final.

EUA iniciam a remoção do bloqueio naval ao Irã, com encerramento total em 30 dias. Forças americanas se retirarão das proximidades do Irã em até 30 dias após o acordo final.

Irã garantirá passagem segura e gratuita de embarcações comerciais em Hormuz por apenas 60 dias, com remoção de minas em até 30 dias. O futuro do estreito será negociado com Omã e outros países costeiros.

EUA se comprometem a desenvolver, com parceiros, um plano de pelo menos US$ 300 bilhões para reconstrução e desenvolvimento do Irã.

EUA revogarão sanções contra o Irã conforme cronograma a ser definido no acordo final.

Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares. O material enriquecido armazenado será diluído sob supervisão da AIEA. Questões sobre enriquecimento serão discutidas no texto final.

Até o acordo final, mantém-se o status quo: Irã não avança no programa nuclear e EUA não impõem novas sanções nem enviam forças.

EUA concedem isenções para exportação de petróleo iraniano e serviços associados até o fim das sanções.

EUA liberam integralmente fundos e ativos iranianos congelados.

Será criado um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento do memorando e do acordo final.

Negociações do acordo final só terão início após o cumprimento dos itens 1, 4, 5, 10 e 11.

Acordo final será endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

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