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UEFA anuncia boicote à Copa do Mundo em oposição ao projeto da Fifa de vender parte da competição

A entidade decide que as seleções europeias não jogarão as próximas Copas caso o projeto siga em pauta

Por Da Redação
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UEFA anuncia boicote à Copa do Mundo em oposição ao projeto da Fifa de vender parte da competição

Foto: Divulgação: FIFA

A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) anunciou nesta quinta-feira (30) que irá boicotar as futuras Copas do Mundo masculina e feminina. O boicote é um protesto contra os interesses da Fifa de vender ações da Copa do Mundo para investidores por mais de 20 bilhões de dólares.

Em uma reunião emergencial com a participação dos 55 membros da organização, a entidade europeia decidiu de forma unânime que as seleções da Europa não participarão de nenhum campeonato organizado pela FIFA, caso as vendas das ações continuem em pauta.

Em nota divulgada, a UEFA afirma que a Copa do Mundo não pode ser tratada como "produto de investimento".

Na última terça-feira (28), a Fifa comunicou que planeja comercializar partes da Copa do Mundo, por meio de uma empresa privada que irá operar e organizar todas as competições.

No mesmo dia, a Uefa se posicionou contra o projeto e afirmou que o futebol "não pertence à Fifa para ser vendido". A posição da entidade foi reforçada em anúncio nesta quinta-feira (30). A UEFA ainda recebeu apoio da Concacaf, confederação da América do Norte, Central e Caribe, e da Confederação Asiática de Futebol (AFC).

Vale ressaltar que o boicote prejudicaria a Copa do Mundo feminina do ano que vem, que será realizada no Brasil.

Veja a nota na íntegra:

'A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir participações de propriedade na Copa do Mundo e em outras competições da FIFA para investidores privados.

A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.

É tanto irresponsável quanto indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de cuidar do esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.

As associações nacionais ao redor do mundo estão agora diante de um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança por intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição responsável por administrar o esporte global.

Mas nossa oposição vai muito além do processo.

No momento em que investidores externos adquirirem participações de propriedade em competições da FIFA, o futebol mudará para sempre. O retorno comercial se tornará uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores se transformarão em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixará de ser guiada pelo que melhor serve ao esporte, passando a ser orientada pelo que melhor atende aos acionistas.

Esse modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo primeiro dever é maximizar o retorno financeiro. Tampouco os interesses das associações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem se tornar subordinados aos retornos dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em troca de ganhos financeiros.

A posição da Europa é clara. Nunca daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém em confiança para a próxima geração.

Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam totalmente abandonadas e garantias vinculantes sejam dadas de que a FIFA jamais voltará a abrir sua governança ou competições à propriedade privada.

Que não haja dúvidas: a UEFA e suas associações nacionais se oporão a esses planos com determinação absoluta.

Há momentos em que instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a comprometer. Este é um desses momentos.

Há coisas que são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E, enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda''.

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