Vai receber o dinheiro que estava no Master? Veja orientações de especialistas sobre onde aplicar
Fundo está na reta final para realizar o pagamento aos que se encaixam na garantia

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Em breve, R$ 41 bilhões serão distribuídos a 1,6 milhão de investidores do Banco Master pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Como mostrou a Folha de S.Paulo, o fundo está na reta final para realizar o pagamento aos que se encaixam na garantia e, segundo especialistas, os ressarcidos devem planejar em qual produto irão realocar o recurso.
"Esse evento foi muito traumático para algumas pessoas e deve gerar uma nova geração de investidores", afirma João Arthur, diretor da Suno Wealth.
Ele prevê que o pagamento do FGC deve ser dos maiores choques de liquidez pulverizada do varejo financeiro em 2026.
"O volume e a dispersão desses recursos tendem a produzir efeitos estruturais sobre o mercado, ao acelerar a migração de fluxo para plataformas de investimento, fundos e Tesouro Direto, em detrimento de aplicações concentradas em CDBs de bancos médio", afirma Arthur.
O especialista recomenda que os investidores realoquem o valor recebido do FGC em alternativas seguras, como títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic (LFTs) ou títulos bancários de grandes bancos. Para quem acomoda um pouco mais de risco, há o Tesouro IPCA+ (NTN-B) de prazos mais curtos, até 2035.
Apesar da expectativa de queda na Selic de 15% a 12,25% ao ano até dezembro, ativos pós-fixados seguem atrativos, afirmam analistas. Atualmente, produtos próximos de 100% do CDI estão entre os mais rentáveis do mercado.
"Mesmo se o cenário mais otimista, de queda da Selic para 11%, estiver certo, ainda é uma Selic muito alta", diz Arthur.
Projeção do C6 Bank considerando o corte nos juros aponta que um CDB a 104% do CDI equivaleria a um ganho líquido real (contabilizando inflação e impostos projetados) de 7,47% em um ano.
Investimentos isentos de Imposto de Renda também estão entre os mais atrativos. LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio) a 91% do CDI rendem mesmos 7,47%
A rentabilidade final, porém, não deve ser o principal fator a ser levado em conta na hora de escolher onde alocar os recursos.
"Renda fixa não pode ser vista como a variável e escolhida apenas pela taxa. Com o caso Master fica uma lição muito grande para todos os investidores. A taxa alta deve ser vista como um sintoma. Por que um banco está pagando 140% do CDI em um CDB?", diz Marcelo Silotto, planejador financeiro CFP pela Planejar.
Ele recomenda que, antes de investir o resgate do FGC, o investidor defina um objetivo para aquele valor no futuro. Se for reserva de emergência, é preciso estar no tesouro Selic ou em um CDB de banco grande de liquidez diária.
Se for um objetivo de médio, é possível se arriscar mais, como em títulos prefixados com vencimento em três a cinco anos. Caso o dinheiro seja de longo prazo, boas opções são títulos do Tesouro
"A segunda pergunta do investidor deve ser: como está a sua carteira? Está diversificada? Alocar em diversos produtos é mais importante que a taxa de um único ativo", afirma Silotto.


