Veja o que se sabe sobre as participações dos irmãos de Toffoli no Resort Tayayá
Fundos ligados ao Banco Master comparam a participação de irmãos do ministro

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concentrou as investigações de todas as instâncias da Justiça do caso do Banco Master, após puxar para a própria relatoria, em dezembro de 2025. Desde então, todas as medidas tomadas por ele, consideradas incomuns, geraram críticas entre políticos e jurídicos.
Na última semana, foi revelado pelo jornal "O Estado de S.Paulo" que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná.
A Polícia Federal investiga, na Operação Compliance Zero, suspeitas de operações financeiras ilegais pelo Banco Master. Conforme as apurações, o banco teria emitido R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez.
Par reforçar que conseguiria pagar esses títulos no futuro, o Master aplicou parte do dinheiro dos CDBs em ativos inexistentes, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno. O diretor-executivo Daniel Vorcaro chegou a ser preso, mas foi solto sob a condição de usar tornozeleira eletrônica.
Resort no Paraná
O Resort Tayayá tinha os empresários José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, como sócios do empreendimento entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025.
José Carlos e José Eugênio adquiriram as cotas no Tayayá através da Maridt Participações, empresa dos dois que foi registrada com um capital social de R$ 150 na Receita Federal.
Toda negociação foi feita com a empresa Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas integrantes da estrutura do resort, e ambas fundadas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani.
No entanto, na Junta Comercial do Paraná, consta apenas que houve a compra das cotas no Tayayá, sem o valor que os irmãos de Toffoli pagaram.
Em um dos casos, a aquisição de cotas da DGEP, o registro na junta informa que a operação se deu por "compensação de crédito detido por ela [Maridt Participações] contra a Sociedade [do resort]". Ou seja, é como se o resort tivesse, na ocasião, créditos com a Maridt, que foram compensados por meio da participação no empreendimento.
Ligação com o Master
As autoridades suspeitam que a Reag, operadora de fundos investigados no caso Master, juntamente com o banco, montaram um esquema de operações combinadas que circularam dinheiro entre fundos previamente organizados para dar lucro artificialmente.
Em agosto do ano passado, a Reag também foi alvo de busca e apreensão em uma mega operação, a Carbono Oculto, contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC.
A operadora usou um fundo, chamado Arleen, para comprar dos irmãos de Toffoli participação na Tayayá e na DGEP. Esse fundo não é alvo de investigação de nenhuma das operações em andamento.
Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao todo, o fundo Arleen investiu R$ 20 milhões na Tayayá e a na DGEP Empreendimentos.
O Arleen comprou parte as cotas dos irmãos de Toffoli no resort em setembro de 2021.
Nesse negócio, o fundo Arleen pagou mais de R$ 3 três milhões por metade da participação dos irmãos nas empresas. Como o valor que os irmão pagaram em sua participação não consta nos documentos da Junta Comercial, não é possível saber se eles obtiveram lucro.
Os irmãos ainda ficaram com uma fração de participação no resort.
Assim, o fundo Arleen e a família Toffoli permaneceram como sócios do Tayayá de setembro de 2021 até o ano passado.
A família Toffoli vendeu a participação na sociedade em fevereiro de 2025.O fundo Arleen deixou a sociedade em julho de 2025.
Cunhada de Toffoli mora em endereço da Maridt
O endereço da Maridt, empresa dos irmãos do magistrado, é o da casa de José Eugênio Toffoli. A confirmação foi feita pelo "Estado de S. Paulo", que foi até o local e comprovou que ele mora no local com a esposa, Cássia Pires Toffoli.
Ao jornal, Cássia informou que nunca soube que a casa foi sede da Maridt e que não tinha conhecimento de ligação entre o marido e o resort. "Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa. Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na junta comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da maridt) aqui. Aqui é onde eu moro", ela afirmou no vídeo.
Seguranças pagos pelos cofres públicos
Uma reportagem do jornal O Globo revelou nessa quinta-feira (22) que o STF pagou 128 dias de diárias a seguranças em viagens onde fica o resort Tayahá, entre 2022 e 2025. O custo total foi de cerca de R$ 460 mil.


