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Vídeo: tarifa de R$ 5,90 e qualidade dos ônibus geram críticas de passageiros em Salvador

Prefeitura prevê 700 novos ônibus climatizados em 2026, enquanto usuários relatam superlotação, demora nos pontos e veículos antigos

Por Paulo Neto
Às

Vídeo: tarifa de R$ 5,90 e qualidade dos ônibus geram críticas de passageiros em Salvador

Foto: Arte/Farol da Bahia

Cinco reais e noventa centavos. Este é o valor desembolsado pelos usuários para embarcar no sistema de transporte coletivo por ônibus em Salvador. A tarifa, atualmente a mais alta entre todas as capitais da região Nordeste, reabre o debate sobre o custo cobrado da população e a real qualidade do serviço entregue a quem depende do transporte público para se deslocar pela cidade.

A promessa de melhorias no sistema ganhou um novo capítulo com o anúncio feito pela Prefeitura de Salvador sobre a incorporação de 700 novos ônibus climatizados à frota ao longo de 2026. Segundo a gestão municipal, cerca de metade dos veículos em circulação na capital baiana já conta com ar-condicionado.

No entanto, a renovação dos veículos levanta questionamentos fundamentais entre os usuários: 

• quantos desses ônibus já estão efetivamente rodando?
• quais linhas serão contempladas?
• de que maneira essa mudança vai impactar a rotina de quem enfrenta diariamente os pontos e os itinerários da cidade?


O custo do transporte no orçamento mensal

Para dimensionar o impacto financeiro no bolso do trabalhador, uma simulação simples ajuda a ilustrar a conta. Uma pessoa que utiliza dois ônibus por dia durante 22 dias úteis gasta cerca de R$ 259,60 por mês com transporte. 

O cálculo considera uma rotina padrão de deslocamento e não contabiliza eventuais integrações tarifárias ou viagens feitas nos fins de semana.

"O transporte de Salvador ainda está muito precário e não atende as expectativas da população. Há muita demora nesses ônibus, ainda sem atualização, sem ar condicionado e com cadeiras quebradas. Sobretudo porque o preço é muito alto para um pequeno salário da maioria que pega o transporte público", diz Carlos Souza, morador do bairro da Costa Azul.

Relatos como este reforçam que a percepção de qualidade não se limita à idade do veículo ou à presença do sistema de climatização. Para quem depende do serviço todos os dias, fatores operacionais como o tempo de espera nos pontos, o intervalo entre as viagens, a superlotação em horários de pico, a conservação interna dos veículos e o cumprimento de horários são aspectos decisivos na avaliação do serviço.


Subsídios milionários e a busca por respostas

A discussão sobre o transporte público em Salvador também passa pelo montante de recursos públicos investidos na operação. Em junho deste ano, a Câmara Municipal de Salvador aprovou a concessão de um subsídio financeiro de R$ 80 milhões destinado ao sistema de transporte em 2026. Do montante total autorizado, R$ 75 milhões foram direcionados aos ônibus convencionais do sistema concessionado e R$ 5 milhões para o Sistema de Transporte Complementar (STEC).

A justificativa para o aporte financeiro é garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema, de modo a assegurar a continuidade da prestação do serviço sem que a totalidade dos custos operacionais seja repassada diretamente para o preço cobrado na catraca ao passageiro.

"Essa entrega não vai causar aumento de tarifa! Ela traz mais qualidade para o usuário. O aumento de tarifa anual segue uma recomposição inflacionária, na qual a corrigimos diante do aumento do diesel e o aumento da inflação devido ao salário dos rodoviários e itens de custo para manter a operação com qualidade", explicou Pablo Souza, responsável pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).

Para entender como esses recursos e a renovação da frota se convertem em melhorias práticas, é necessário avaliar os indicadores operacionais do sistema: o número de viagens programadas e as efetivamente realizadas, o índice de quebras de veículos durante a operação diária e as principais reclamações registradas pelos passageiros.

O Farol da Bahia entrou em contato com a Semob para solicitar estes dados operacionais e o detalhamento sobre o cronograma de entrega dos novos veículos, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.


O desafio na rotina do passageiro

Enquanto as mudanças na frota são anunciadas, a população que utiliza o sistema cobra prioridade na resolução dos problemas diários. Ao responderem se o serviço atende às suas necessidades e o que deveria mudar primeiro, usuários apontam a regularidade da frota e a redução da lotação como urgências mais imediatas do que apenas o conforto visual dos novos modelos.

"Transporte muito cheio, com ônibus velhos e que demoram muito. Ainda existe a questão do engarrafamento que com diminuição da frota piora mais a situação [...] Acho que a solução seria aumentar a frota", opina Ana Cristina, moradora de Boa Vista de São Caetano.

A modernização da frota representa um avanço estrutural, mas o grande desafio da mobilidade urbana em Salvador permanece na garantia de uma operação regular, pontual e digna. Com a tarifa no patamar de R$ 5,90, a questão central que permanece na rotina de milhares de soteropolitanos não é apenas o valor cobrado na catraca, mas o retorno concreto que o passageiro recebe ao embarcar.

Questionado sobre o valor da tarifa de R$ 5,90, Reinaldo Brito, morador da região de Brotas, diz que o valor cobrado é injusto ao considerar a qualidade do serviço prestado.

"Se você analisar a condição financeira do povo que utiliza ele [transporte público] para o valor cobrado ainda é caro. Para a qualidade do serviço prestado é muito caro ainda", afirmou.

Já Guilherme Santos, morador da Pituba, aprova a qualidade dos novos ônibus entregues pela Prefeitura, mas só considera justa a cobrança da atual tarifa em viagens com os novos coletivos.

"Pelos tipos de ônibus, o valor tá muito caro, né? Porque tem ônibus aí que está caindo aos pedaços e fica caro o transporte. Mas com o transporte novo, aí pode até valer, mas com esse transporte velho não, fica caro", pontuou.

Confira o vídeo:
 

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