Vídeo: “Não basta só pós-fato”, afirma Ângela Guimarães ao defender ações preventivas contra o racismo
Secretária da Sepromi reforça importância de acolhimento especializado às vítimas

Foto: FB Comunicações
A secretária de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Ângela Guimarães, defendeu a ampliação de medidas preventivas e maior rigor no enfrentamento ao racismo durante participação no novo episódio do Podomblé, exibido nesta segunda-feira (23). A gestora comentou os recentes casos de racismo e intolerância religiosa registrados em Salvador e destacou a necessidade de atuação contínua do poder público.
Ao abordar o tema, Ângela afirmou que o enfrentamento não deve ocorrer apenas após episódios de violência. "Não basta que nós repudiemos os casos de racismo quando ele ocorre. Veja aí, logo após a ocorrência de um caso de racismo, esse desfecho trágico" — referindo-se ao caso de Manoel Neto, morto após denunciar ser vítima de racismo em um camarote após o Carnaval. "Então, não basta só no pós-fato; nós precisamos atuar antes de ele ocorrer e precisamos atuar também com uma postura antirracista a partir do nosso local de atuação", declarou.
A secretária ressaltou a importância de uma estrutura especializada para atender vítimas, mencionando a necessidade de qualificação permanente de servidores e de um acolhimento adequado à natureza do crime. "Uma delegacia especializada, com um corpo técnico de servidores públicos qualificados permanentemente para fazer um tipo de atendimento e acolhimento específico, considerando a natureza desse crime, a subnotificação, a ineficiência da legislação e também as condições subjetivas com que essas vítimas chegam a esse espaço", afirmou.
Ela explicou que o atendimento oferecido inclui suporte psicológico inicial e encaminhamento conforme a necessidade de cada caso. "Demanda um acolhimento específico que atende vítimas e testemunhas, mas acolhe também a população de forma ampla. Então, você ou qualquer pessoa pode vir aqui à sede da CEPROMI, durante a semana, em horário comercial, para fazer esse atendimento psicológico, esse primeiro atendimento, esse primeiro acolhimento, e depois cada caso vai ser avaliado de acordo com a sua necessidade, seja quanto à necessidade de um tratamento regular, via CAPS ou via outras instituições", disse.
Durante a entrevista, Ângela também defendeu maior rigor na responsabilização penal. "Nós também entendemos que o racismo é um crime hediondo, é um crime que fere de tal forma as pessoas, e que esses racistas não podem continuar soltos por aí, porque, sem dúvida, após apenas uma prisão preventiva ou apenas o registro de um boletim de ocorrência, eles não vão se tornar pessoas melhores; eles vão continuar propagando o racismo", afirmou.
Ao concluir, reforçou o posicionamento da pasta sobre a punição aos responsáveis. "Então, nós precisamos de mais efetividade. Temos a convicção de que lugar de racista é na cadeia. O racista não pode continuar solto por aí, afetando, ferindo, humilhando, rebaixando, inferiorizando as pessoas. Ele tem que pagar pelos seus crimes exatamente na cadeia."
Veja um trecho da entrevista:


