Vídeo: Vorcaro diz ter feito repasse a projeto social de ex-chefe do BC
Em depoimento à PF, ex-controlador do Banco Master afirma ter destinado até R$ 4 milhões para ação social vinculada a Belline Santana

Foto: Youtube
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, confirmou em depoimento prestado à Polícia Federal que determinou a destinação de recursos financeiros para apoiar um projeto social vinculado ao ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana.
O empresário, no entanto, negou que a operação tenha representado a concessão de qualquer "vantagem de qualquer natureza" ou pagamento de propina para obter facilidades na autarquia federal.
A oitiva foi realizada no dia 28 de agosto por videoconferência a partir do presídio da Papudinha, onde o banqueiro cumpre prisão preventiva no âmbito da Operação Compliance Zero.
Acompanhado por seus advogados, Vorcaro explicou ao delegado Albert Paulo Sérvio de Moura que decidiu apoiar a iniciativa após Belline relatar a intenção de criar um projeto voltado para a inserção de jovens negros em cargos de liderança no sistema financeiro.
Vorcaro relatou que repassou a execução da proposta ao seu cunhado, Fabiano Zettel, sem acompanhar os desdobramentos operacionais. Sobre o montante empregado, declarou que não se recordava com precisão do valor fixado. “Eu não me lembro se eram R$ 2 [milhões] ou R$ 4 milhões, que era mais ou menos o que eu colocava em cada um dos projetos sociais”, afirmou.
Durante o interrogatório, a Polícia Federal apresentou mensagens extraídas dos celulares dos investigados. Em uma das conversas, datada de outubro de 2023, Zettel menciona a necessidade de pagar "a primeira do Belline". Em resposta, Vorcaro orientou que o pagamento fosse efetuado por meio de uma empresa sem vínculo direto ao cunhado.
O empresário reiterou que nunca solicitou ou recebeu benefícios indevidos do ex-chefe de Supervisão do BC e voltou a rebater as suspeitas envolvendo outros servidores da autarquia.
Vorcaro citou sua relação com o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza, iniciada em 2017 durante a aquisição do antigo Banco Máxima. Questionado se o servidor atuava em seu favor, o empresário declarou: “O Paulo Sérgio nunca fez trabalho para mim, nenhum membro do Banco Central”.
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