Yamaha Tracer 7: Farol da Bahia testa nova crossover de 700cc
Com motor CP2 e tecnologias de assistência ao piloto, ela surpeeende no uso misto

Um dos grandes produtos do segmento de duas rodas de 2026 é a Yamaha Tracer 7, que chega ao Brasil com o conhecido motor bicilíndrico CP2 e uma proposta que equilibra desempenho, ergonomia e praticidade. Apresentada no Festival Interlagos, a sport-touring estreou por R$ 59.990, sem frete, entrando na disputa com Kawasaki Versys 650 e Triumph Tiger Sport 660. E o Farol da Bahia testou a novidade por uma semana.
Nesse período, a Tracer mostrou que seu principal argumento está na combinação de qualidades: tem agilidade para a rotina, disposição nas acelerações e uma posição de pilotagem confortável para percursos mais longos.
As carenagens de linhas angulosas e o para-brisa elevado reforçam a aparência de crossover. A proposta, porém, é essencialmente rodoviária. Com rodas de 17 polegadas e pneus de perfil esportivo, a Yamaha foi concebida para aproveitar o asfalto, conciliando uma condução mais animada com a postura ereta de uma motocicleta de turismo.
O guidão facilita as mudanças de direção e oferece bom controle no trânsito. O piloto fica com os braços em posição natural, sem precisar inclinar tanto o tronco para a frente. Na prática, essa ergonomia ajuda tanto nos deslocamentos entre os carros quanto nos trechos de rodovia.
O banco permite ajustar a altura entre 830 e 850 mm, ampliando as possibilidades de acomodação. Ainda assim, motociclistas de menor estatura precisam avaliar o apoio dos pés no chão. A largura do assento e o comprimento das pernas também influenciam essa relação. Os 203 kg em ordem de marcha exigem atenção nas manobras parado, principalmente em locais inclinados, embora o conjunto se mostre equilibrado em movimento.
CP2 continua sendo protagonista
O motor de 689 cm³ reúne dois cilindros em linha, refrigeração líquida, duplo comando e oito válvulas. São 73,4 cv a 8.750 rpm e torque máximo de 6,9 kgfm a 6.500 rpm, com câmbio de seis marchas e transmissão final por corrente.
Na Tracer, esse conjunto se destaca pela flexibilidade. No trânsito, a disponibilidade de torque e o escalonamento das marchas permitem acompanhar o fluxo sem recorrer constantemente ao câmbio. Quando aparece espaço para acelerar, o bicilíndrico responde com disposição e torna a pilotagem envolvente.
Na estrada, as retomadas são um dos pontos positivos. A moto ganha velocidade com facilidade e oferece força para ultrapassagens, respeitadas as condições da via. Também permite manter um ritmo tranquilo, característica importante para quem pretende viajar sem transformar cada deslocamento em uma experiência cansativa.
O acelerador eletrônico e a embreagem assistida e deslizante complementam a mecânica. A Yamaha aproveita uma base conhecida e acrescenta recursos que fazem sentido em uma motocicleta destinada a conciliar diferentes usos.
Agilidade e freios bem dimensionados
A suspensão dianteira tem garfo invertido de 41 mm e curso de 130 mm. Atrás, o monoamortecedor trabalha com sistema de link e oferece 139 mm de curso. Os pneus são 120/70 ZR17 na dianteira e 180/55 ZR17 na traseira.
Durante a avaliação, a Tracer mostrou facilidade nas mudanças de direção e bom controle nas frenagens. O comportamento acompanha sua proposta: uma moto capaz de enfrentar o trajeto cotidiano e oferecer confiança quando o percurso inclui curvas.
Os freios agradaram pela capacidade de desaceleração. O conjunto utiliza dois discos dianteiros de 298 mm e um traseiro de 245 mm, com ABS nas duas rodas. É um sistema que acompanha o desempenho do motor e ajuda o piloto a administrar o ritmo.
Conforto aparece na estrada
No percurso entre a zona sul de São Paulo e Campinas, de aproximadamente uma hora e meia, a ergonomia reforçou a vocação estradeira. A posição mais ereta e a acomodação dos braços permitem conduzir com naturalidade, enquanto o para-brisa ajustável amplia as possibilidades de proteção contra o vento.
A lista de equipamentos inclui protetores de mão, entrada USB-C e painel TFT colorido de cinco polegadas com conectividade. O controle de cruzeiro também merece destaque: funciona entre 40 e 180 km/h, da terceira à sexta marcha, e ajuda a reduzir o esforço de manter o acelerador acionado em trechos de velocidade constante.
O tanque de 18 litros é compatível com a proposta de turismo, mas a autonomia dependerá do consumo e das condições de utilização. Sem uma medição específica, a capacidade do reservatório, isoladamente, não permite determinar a distância entre os abastecimentos.
Disputa com Kawasaki e Triumph
A Kawasaki Versys 650 é uma das adversárias mais próximas pelo conceito. Também combina posição ereta, proteção aerodinâmica e rodas de 17 polegadas, com foco no uso em asfalto. Seu motor bicilíndrico de 649 cm³ entrega 67 cv e 6,2 kgfm, abaixo dos números da Yamaha.
A Kawasaki responde com tanque maior, de 21 litros, e oferece a configuração Tourer, com equipamentos e bagageiros voltados às viagens. É uma alternativa para quem coloca o turismo entre as prioridades e procura uma motocicleta preparada para transportar bagagem.
A Triumph Tiger Sport 660 segue uma receita semelhante de versatilidade, mas aposta no motor de três cilindros como diferencial. Com preço anunciado a partir de R$ 62.990, ocupa uma faixa próxima à da Yamaha e também busca o motociclista que deseja combinar deslocamentos diários e viagens.
Nesse confronto, a Tracer 7 reúne argumentos competitivos: motor forte, equipamentos úteis e facilidade de condução. O encaixe do piloto e a preferência pelo comportamento de cada conjunto mecânico têm peso importante na escolha.
Depois de uma semana, a impressão é de uma motocicleta que cumpre bem sua proposta. A Tracer tem desempenho para divertir e ergonomia para ampliar as possibilidades de uso. Para quem procura uma única moto para trabalhar, passear e viajar, a Yamaha chega como uma opção consistente entre as sport-touring de média cilindrada.


