ROLETA RUSSA

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ROLETA RUSSA

Boa parte da elite política e econômica do nosso país vive sob ameaças tenebrosas. A começar pelo Presidente da República. Deve ser muito vexatório conviver com uma bomba no colo, que pode explodir a qualquer momento e destroçar o resto de credibilidade que, aos trancos e barrancos, os protegem com artimanhas conhecidas e desgastadas.

Já pensaram se os presos políticos, aqui e alhures, decidirem abrir o bico em delações premiadas, destinadas a pular a fogueira das grandes condenações a que estão sujeitos? São condenações penais presumivelmente muito grandes, a considerar a gravidade dos crimes que cometeram. Verdadeiros serial killers, desses que só encontramos nos filmes norte-americanos!
Tem delações para todos os gostos e capazes de produzir um grande salseiro, suficientes para derrubar a república e levar de roldão gente graúda, do tipo ministros, deputados, senadores, empresários e, como já disse, até presidente da república.

A lista é grande, quase interminável. Nela estão os mais conhecidos e outros virão de enxurrada. Refiro-me a Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, preso espetacularmente na Venezuela e trancafiado nos EUA. A delação de Hugo Carvajal, Ex-diretor de Inteligência da Venezuela, se declarou culpado no Tribunal de Nova Iorque e já vem há tempo colaborando, com informações importantes e explosivas. Já são públicas as denúncias de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do Ministro Alexandre de Moraes no TSE. O que dizer de Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master, recentemente liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil e seus comparsas mais próximos, os quais, uma vez julgados, receberão penas que só poderão ser atenuadas através de suas delações premiadas. 

Não pretendo revelar as delações que serão trazidas a público. Prefiro ouvi-las dos delatores, quando decidirem fazê-las.

Ouço o vozerio das ruas. Asseguram os populares e os jornais, que até então se fingiam de mortos, os segredos sobre as campanhas eleitorais petistas. É voz corrente que o petróleo venezuelano era o Banco Central do Fórum de São Paulo e foi o ouro negro que irrigou o êxito das correntes políticas de esquerda em todo continente latino-americano. 

O que já se sabe a respeito do Banco Master já é o bastante para embrulhar o estômago. O contrato milionário entre o Banco e o escritório da família de Alexandre de Moraes carece de uma explicação convincente, embora o silêncio diga tudo. O mistério em torno do assunto, onde as provas evaporam nos escaninhos do STF, por decisão do ministro Dias Tofilli, tem causado um mal estar generalizado. Toda sorte de especulações pipocam na imprensa, mas o silêncio é mortuário, culminando com tentativas frustradas de reverter a liquidação do Banco, promovida pelo órgão técnico, embasada em evidências notórias e insofismáveis.  

Na evolução das investigações e ações policiais, apesar da tentativa de reversão das decisões adotadas pelo Banco Central do Brasil, despontam com forças todas as falcatruas praticadas por Daniel Vorcaro e seus agentes, a ponto de tornar-se irreversível o seu retorno à prisão preventiva e instauração do inquérito policial, restando à sua defesa o recurso misericordioso da delação premiada, como única alternativa de redução da sua inevitável condenação judicial.

O que se diz dessas delações é que elas representam uma roleta russa carregada de balas de prata. Aguardemos, certos de que “o mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas”, nas preciosas palavras do estadista conservador, Benjamin Disraeli, o político inglês de brilhante trajetória.

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