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42 candidaturas foram contestadas pelo MP Eleitoral em 2026 por ligações com o crime organizado

A maioria ainda espera o julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral

Por Da Redação
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42 candidaturas foram contestadas pelo MP Eleitoral em 2026 por ligações com o crime organizado

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Ministério Público (MP) Eleitoral questionou a validade de ao menos 42 candidaturas em 10 estados brasileiros em função do vínculo dos políticos com o crime organizado. Do número total, 22 tiveram o registro impedido diante de decisão imposta pela Justiça Eleitoral, ou até mesmo renunciaram. Porém, a maioria ainda espera o julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Existem ainda quatro casos em que a candidatura chegou a ser barrada, mas o MP Eleitoral questiona a decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem impedido desde 2024 que pessoas com vínculo com facções criminosas participem das eleições. As decisões ocorreram depois de pedidos realizados pelo Ministério Público baseado na Constituição Federal, que proíbe a utilização de organizações paramilitares por partidos políticos, baseado no artigo 17. O MP Eleitoral considera que o dispositivo impede que grupos criminosos usem partidos e candidatos para aumentarem a influência política, mesmo quando não ocorre condenação criminal.

Dentre as candidaturas questionadas neste ano pelo MP Eleitoral, 26 casos são oriundos do Rio de Janeiro, mas existe também quatro casos na Paraíba, três em São Paulo, dois no Acre, dois no Mato Grosso do Sul, um no Amapá, um na Bahia, um em Minas Gerais, um no Goiás e um no Rio Grande do Norte. Já sobre os cargos, a maioria concorreu a deputado estadual, com 22 e deputado federal, com 16. Existe também questionamentos em função de candidaturas para senador e suplente e governador.

“Temos atuado para impedir que grupos criminosos aparelhem partidos políticos, financiem campanhas ou lancem candidaturas. Essa influência compromete a liberdade de escolha dos eleitores, o equilíbrio da disputa e a democracia brasileira”, disse o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa.

Candidatos eleitos

Dentre os candidatos mencionados pelo MP Eleitoral, alguns tiveram o registro validado pela Justiça e foram eleitos no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas ainda esperam o julgamento de recursos questionando a decisão, a exemplo de Márcio Canella (União), que foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro. O parlamentar foi preso na 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga esquema criminoso de lavagem de dinheiro através de uma rede de postos de combustíveis no estado.

Mesmo que o registro do político tenha sido validado pelo TRE-RJ, o Ministério Público solicitou ao TSE que reforme a decisão. Em parecer encaminhado à Corte, o vice-PGE afirma ter encontrado indícios suficientes que comprovem a ligação do político com milícias cariocas. O caso ainda espera julgamento.

O MP também recorreu ao TSE na intenção de barrar a candidatura de Ney Santos (Republicanos) como deputado federal por São Paulo. O parlamentar responde a uma ação penal em que é acusado de chefiar uma organização criminosa, além de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

Nas eleições de 2016, o político foi condenado por abuso de poder econômico, envolvendo o financiamento ilícito de campanha. O MP defende ao TSE que não é preciso existir condenação criminal colegiada ou definitiva com intenção de impedir o registro, sendo necessária a existência de provas robustas com ligação com o crime organizado. O recurso ainda irá para julgamento pelo TSE.

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