A 100 dias da Copa, maior mundial da história se aproxima em meio a tensões nos países-sede
Com 48 seleções e jogos nos Estados Unidos, México e Canadá, edição de 2026 amplia formato dentro de campo, mas enfrenta cenário político delicado fora dele.

Foto: Divulgação / FIFA
Faltam exatamente 100 dias para a Copa do Mundo FIFA 2026. A partir de 11 de junho, o planeta volta a girar em torno do futebol, desta vez com um formato inédito: serão 48 seleções e 104 partidas, no maior Mundial da história. A abertura acontecerá no Estádio Azteca, na Cidade do México, e a final será disputada no MetLife Stadium, em Nova York/Nova Jersey, no dia 19 de julho.
Dentro de campo, a principal novidade é o novo modelo da competição. As seleções que chegarem à decisão terão feito oito jogos, um a mais do que nas edições anteriores. Para o torcedor brasileiro, as partidas acontecerão em quatro faixas de horário: 13h, 16h, 19h e 22h (de Brasília), reflexo das 16 sedes distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá.
Mas, a 100 dias do pontapé inicial, uma pergunta começa a circular fora das quatro linhas: vai ter Copa?
A dúvida não nasce de problemas organizacionais ou estruturais. Ao contrário, a logística segue em andamento. O que gera apreensão é o cenário político e de segurança nos países-sede, especialmente nos Estados Unidos e no México.
Os Estados Unidos, que receberão a maior parte dos jogos e a final, atravessam um momento de tensão internacional, com envolvimento em conflito com o Irã, além de forte polarização interna. A política migratória também voltou ao centro do debate, com atuação mais rígida do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e endurecimento na fiscalização de imigrantes. O tema é sensível em um torneio que depende da circulação global de torcedores. Restrições de vistos ou critérios mais severos de entrada podem afetar a presença de públicos de determinados países, incluindo o Brasil, o que impactaria diretamente o ambiente de Copa, aquele que transforma cidades em prol do futebol mundial.
No México, que sediará a abertura e terá jogos também em Guadalajara e Monterrey, o alerta é outro. A recente onda de violência após a morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera, líder do cartel Jalisco Nueva Generación, reacendeu o debate sobre segurança no país. Confrontos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança. Embora as cidades-sede sejam grandes centros urbanos com estrutura reforçada, o clima de instabilidade adiciona uma camada de preocupação às vésperas de mais um Mundial em solo mexicano.
Já o Canadá surge como o ponto de maior estabilidade entre os três anfitriões, mantendo planejamento focado no impacto econômico e na geração de empregos, enquanto se prepara para receber partidas em Toronto e Vancouver.
Até o momento, a FIFA não sinalizou qualquer mudança no cronograma ou preocupação oficial com a realização do torneio. E, olhando para o histórico recente, a entidade já enfrentou Copas sob contextos políticos complexos e a bola rolou.
Por isso, a pergunta "vai ter Copa?" soa mais como reflexo do cenário global do que como ameaça concreta ao evento. A estrutura está montada, o calendário definido e as seleções em reta final de preparação. Dentro de campo, o que se espera é o maior espetáculo do futebol já realizado. Fora dele, o desafio será garantir que tensões políticas e questões de segurança não interfiram na essência do torneio: reunir o mundo em torno do futebol.


