“A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso”, diz Carla Perez em pronunciamento após ser acusada de racismo
O pronunciamento foi publicado nas redes sociais da artista na segunda-feira (15)

Foto: Reprodução/Redes Socias
A dançarina Carla Perez, que desfilou pela última vez no trio ‘Pipoca Doce’ no domingo (15), no Carnaval de Salvador, se pronunciou nas redes sociais após ser acusada de racismo por subir nos ombros de um segurança negro durante a apresentação.[veja o vídeo no final da notícia]
Em um comunicado publicado na segunda-feira (15), em seu perfil no Instagram, a artista afirmou que subiu nos ombros do segurança para ficar mais próxima do público infantil.
Perez escreveu ainda que, apesar da intenção ter sido boa, a imagem “reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade” e “remete a desigualdades históricas que estruturam nosso país”.
Por fim, ela reconheceu o erro, pedindo desculpas, e afirmando que reconhece a contribuição do povo negro na festa.
Leia nota de esclarecimento na íntegra:
O meu objetivo sempre foi fazer uma despedida inesquecível, à altura do que o Pipoca/Algodão Doce representou para o Carnaval de Salvador, um bloco pioneiro ao pensar na folia para as crianças, abrindo caminhos e criando memórias afetivas para gerações.
Eu subi nos ombros do segurança para ter contato físico e, portanto, estar mais próxima das minhas crianças, em momentos pontuais do percurso, devido a minha estatura.
A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada.
Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é meu primeiro passo. O segundo é agir.
O Carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feito majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência. Tenho consciência da responsabilidade histórica que isso carrega.
Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas.
E reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural.
Aqui finalizo, ressaltando meu pedido de desculpas e com o coração cheio de amor, ainda muito emocionada com a despedida de ontem.
Agradeço a compreensão de todos.


