A importância da continuidade no tratamento do autismo além do diagnóstico
Especialistas reforçam que o acompanhamento contínuo deve considerar as necessidades individuais de cada paciente.

Foto: FB Comunicações
O diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA) é apenas uma etapa do acompanhamento e não deve ser tratado como uma definição sobre as possibilidades de desenvolvimento de cada pessoa. O tema foi discutido pela neuropsicóloga Queliane Amorim e pela CEO da Clínica Multidisciplinar Psico+, Leidy Melgaço, durante participação no podcast Espectro No Farol.
Ao falar sobre a compreensão do autismo, Queliane Amorim destacou a necessidade de combater informações equivocadas que podem dificultar o acesso das famílias ao acompanhamento adequado. Para a neuropsicóloga, “o autismo não é uma doença”, mas uma condição que deve ser compreendida a partir das características e necessidades de cada indivíduo.
A especialista também ressaltou que as intervenções podem produzir mudanças significativas no comportamento e no desenvolvimento. Segundo ela, compreender corretamente o diagnóstico é fundamental para tornar o tratamento mais acessível e dar maior segurança às famílias.
Outro ponto discutido no episódio foi a continuidade das intervenções mesmo após a percepção de avanços. Leidy Melgaço chamou atenção para situações em que as famílias reduzem ou interrompem o acompanhamento depois de observar melhorias.
“E acaba depois de tanto esforço para ganhar um ganho significativo ali de evoluir e acaba regredindo, porque não há uma consistência, não há uma manutenção”, afirmou Leidy.
A CEO também abordou a necessidade de avaliar a quantidade de terapias e a frequência dos atendimentos de acordo com as necessidades de cada paciente, evitando que decisões sejam tomadas apenas a partir da percepção de que houve uma melhora.
Para Queliane, o acompanhamento deve considerar avaliações profissionais e evidências sobre as intervenções indicadas para cada caso. A neuropsicóloga alertou ainda que a interrupção precoce pode fazer com que um desenvolvimento que poderia ocorrer em um período menor se estenda por mais tempo.
O episódio do Espectro No Farol reforça, assim, a importância de um tratamento individualizado e contínuo, que considere não apenas o diagnóstico, mas também a evolução, as necessidades e a qualidade de vida de cada pessoa.


