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Anotações de Flávio sobre palanques do PL sugerem troca de vice de Tarcísio e risco em MG

Flávio admitiu ser o autor das anotações, que estão em primeira pessoa, mas disse que muitas opiniões registradas ali não são dele

Por FolhaPress
Às

Anotações de Flávio sobre palanques do PL sugerem troca de vice de Tarcísio e risco em MG

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

CAROLINA LINHARES 

Anotações feitas pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião da cúpula do PL, nesta terça-feira (24), revelam planos do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano e expõem opiniões sobre os candidatos que não são levadas ao conhecimento do público.

A reportagem obteve acesso ao texto, que é intitulado "situação nos estados" e contém uma lista impressa de possíveis concorrentes junto a diversas anotações à mão. Nesta quarta-feira (25), Flávio admitiu ser o autor das anotações, que estão em primeira pessoa, mas disse que muitas opiniões registradas ali não são dele, e sim de outros participantes do encontro.

Na sala onde esse mapa foi debatido, na terça, estavam os políticos que compõem a cúpula do PL, além do próprio Flávio. O senador havia participado de reuniões com seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

"As anotações que tinham naquele pedaço de papel, não são o que eu penso. As pessoas com quem eu conversei falavam sobre suas impressões, suas opiniões, e eu anotava naquele papel para, num segundo momento, aproveitar ou não o que as pessoas estavam falando para mim", disse Flávio.

No topo da primeira página, está escrito "ligar Tarcísio", em referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em relação a São Paulo, as anotações tratam de possíveis candidatos para a vaga de vice de Tarcísio, que vai disputar a reeleição. O nome do atual vice, Felício Ramuth (PSD), que era o nome preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta a um "$". Ramuth é alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro, caso revelado na semana passada. Ele nega ter cometido qualquer irregularidade.

Logo abaixo, há uma pergunta: "André do Prado vice?", em referência ao presidente da Assembleia Legislativa, que é do PL e tenta desbancar Ramuth para a vaga de vice.

O deputado Guilherme Derrite (PP) é um dos candidatos ao Senado na chapa bolsonarista, mas o segundo nome da disputa, a ser indicado pelo PL, está em aberto. O rascunho traz escritos à mão cinco possíveis candidatos, nesta ordem: Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

A reunião foi marcada por Flávio e seus principais aliados para traçar um panorama do partido a meses da eleição nacional. Tratou-se de um "brainstorm" com a fotografia do momento, segundo interlocutores do senador. O registro oficial de candidatos ocorre apenas em agosto.

O papel indica descrença da cúpula do PL, em Minas Gerais, a respeito do vice-governador Mateus Simões (PSD), que vai disputar o governo. O vice leva a observação "me puxa para baixo".
"Se for candidato", segue a anotação sobre Simões, "Cleitinho e Pacheco também são", diz o papel, em referência ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que pode ser o candidato de Lula (PT) ao Governo de Minas, e ao senador Cleitinho (Republicanos).

O PL também cogita lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), ao governo. O partido de Flávio não tem um candidato em Minas —o deputado Nikolas Ferreira era cotado, mas não quer concorrer ao Executivo. Ao lado de Roscoe está escrito "conversa com Nikolas".

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), o secretário Marcelo Aro (PP) e os deputados Eros Biondini (PL-MG) e Domingos Sávio (PL-MG) estão registrados como candidatos ao Senado, mas apenas Viana e Sávio têm um traço feito à caneta de endosso ao lado do nome.


A governadora Raquel Lyra (PSD) é a escolha do PL para a reeleição em Pernambuco, apesar de sua proximidade também com Lula. As anotações do rascunho indicam que Lyra apoia o deputado Mendonça Filho para o Senado e que ele poderia trocar o União Brasil pelo PL.

Ainda a respeito do ex-ministro da Educação, há uma observação de que o deputado Coronel Meira (PL-PE) gosta desse arranjo para o Senado e "só Gilson não gosta", referindo-se ao ex-ministro Gilson Machado.

Na disputa ao Senado, o ex-prefeito Anderson Ferreira (PL) aparece riscado, com Mendonça Filho em seu lugar e a indicação de que ele deve concorrer, na verdade, a deputado federal. A segunda vaga seria do ex-deputado estadual Miguel Coelho.

Em Alagoas, entre os cotados para o governo aparecem o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, o rascunho diz que é preciso conversar com ele até o dia 15 de março, enquanto, ao lado de Gaspar, a anotação diz: "único que pedirá voto para mim".

Entre os candidatos ao Senado no estado, uma anotação a caneta inclui o nome "Arthur (JB)", em uma indicação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode apoiar o deputado Arthur Lira (PP-AL) para o posto.

Um acordo no PL estabeleceu que Bolsonaro vai definir os candidatos ao Senado, enquanto Valdemar vai escolher os candidatos aos governos estaduais.

O documento mostra um impasse do PL no Distrito Federal. Em tese, a chapa do partido seria formada pela vice-governadora Celina Leão (PP) como candidata ao governo, ao lado das candidatas ao Senado Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL).

Uma anotação à caneta, porém, observa que "se Ibaneis [Rocha, do MDB] for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina". O rascunho indica que não haveria espaço para duas candidatas do PL na mesma chapa.

O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), deve ser o apoiado pelo PL no estado, com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) como possíveis candidatos ao Senado. "Recall/melhor nas pesquisas", diz uma observação sobre Contar.

No estado, o deputado federal bolsonarista Marcos Pollon diz que pretende concorrer ao governo ou, caso Bolsonaro prefira assim, ao Senado. O rascunho registra: "Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)".

Procurado pela reportagem, Pollon diz que a anotação "não faz o menor sentido" e que não tem tido contato com Valdemar para fazer tal pedido.

"Eles sabem que eu não trabalho desse jeito. Quem trabalha com militância não precisa de dinheiro. Isso é uma campanha de assasinato de reputação porque sabem que não estou à venda e não me dobro a acordos", disse.

Também há uma anotação em referência à mulher do deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), Gianni Nogueira, que é cotada para disputar o Senado. "Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)", diz. O deputado afirma à reportagem que não houve esse pedido por parte da esposa e que ela tem o apoio de Bolsonaro.

Nesta quarta, Flávio afirmou que, embora tenha feito essas anotações sobre pedido de dinheiro, esses fatos não ocorreram.

"Já está sendo distorcido pela imprensa, como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato. Estava escrito ali: Pollon pediu R$ 15 milhões para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu, a parte da imprensa que estiver falando que ele pediu isso é mentira. [...] Dá a entender que ele teria pedido, mas na verdade eu anotei para avisá-lo de que estavam falsamente divulgando isso", disse.

Na Bahia, o documento demonstra que a prioridade do PL é estabelecer uma aliança com ACM Neto (União Brasil), que vai disputar o governo. "Conversar primeiro, depois tratamos de palanque completo", diz a anotação escrita ao lado do nome do ex-prefeito de Salvador.

Já no Ceará o plano é apoiar Ciro Gomes (PSDB), com o PL integrando sua chapa. No Piauí, o presidente do PP, Ciro Nogueira, aparece como opção de apoio ao Senado.

O documento aponta que o senador Efraim Filho (União Brasil-PB) deve se filiar ao PL para concorrer ao Governo da Paraíba. O ex-ministro Marcelo Queiroga (PL) deve disputar o Senado.

O deputado federal Giacobo (PL-PR) "não pode ser candidato (Valdemar)", diz o rascunho. No estado, o plano do PL é apoiar o deputado Filipe Barros (PL) para o Senado. Apoiar um segundo nome, como Cristina Graeml, diz o documento, "não dá, atrapalharia Filipe".

Isso porque o PL conta com a eleição de Deltan Dallagnol (Novo) para o Senado, e são apenas duas vagas. "Candidato do Ratinho [Junior, do PSD], primeiro nas pesquisas", diz o rascunho a respeito de Dallagnol.

O Rio Grande do Sul aparece resolvido com um "ok". O candidato ao governo será o deputado federal Zucco (PL) e os candidatos ao Senado serão os deputados Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo).

O ex-ministro Onyx Lorenzoni (PP) faria parte da negociação para vice-governador. "Ligar para Onyx e comunicar. Oferecer vice para o PP (Covatti [deputado federal] aceita)", diz.

Em relação a Goiás, os possíveis candidatos ao governo seriam o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Moraes (PL), enquanto para o Senado estão cotados o deputado Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil), que é mulher do governador Ronaldo Caiado (PSD).

O senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, aparece com a observação: "primeiro lugar nas pesquisas". Sua nora, Janaina Riva (MDB), está entre os cotados para o Senado e "será candidata de qualquer jeito", segundo o rascunho, ou seja, integrando a chapa do PL ou não.

Em Santa Catarina, como mostrou a Folha de S.Paulo, o senador Esperidião Amin (PP) foi preterido na chapa para o Senado, que terá Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada Caroline de Toni (PL), por determinação de Bolsonaro. No rascunho, o nome de Amin aparece riscado.

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