• Home/
  • Notícias/
  • Brasil/
  • ANP avança em programa para reduzir poder da Petrobras em mercado de gás natural

ANP avança em programa para reduzir poder da Petrobras em mercado de gás natural

Proposta prevê que a estatal abra mão de contratos de revenda da produção de seus parceiros no pré-sal e de importações da Bolívia.

Por FolhaPress
Às

ANP avança em programa para reduzir poder da Petrobras em mercado de gás natural

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

NICOLA PAMPLONA - A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) aprovou nesta sexta-feira (7) abertura de consulta pública para debater regras para reduzir a concentração da Petrobras no mercado brasileiro de gás natural, em programa conhecido como "gas release".

A proposta prevê que a estatal abra mão de contratos de revenda da produção de seus parceiros no pré-sal e de importações da Bolívia. Para isso, estabelece leilões anuais para oferecer gradativamente ao mercado contratos contratos existentes atualmentes.

A ofensiva contra o poder da Petrobras nesse mercado está prevista na Lei do Gás aprovada pelo governo Jair Bolsonaro (PL), e é hoje alvo de embate entre a estatal e o MME (Ministério de Minas e Energia), liderado pelo ministro Alexandre Silveira.

Nos últimos meses, o comando da Petrobras tem criticado repetidamente a proposta de "gas release". Na última manifestação, a diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, disse que o programa pode inviabilizar investimentos em produção de gás.

Para tentar preservar a estatal, a ANP limitou o programa a gás produzido por outras empresas ou importado. A proposta não afeta gás natural produzido pela própria Petrobras, mas as parcelas que suas sócias têm em campos do pré-sal.

Atualmente, diz a ANP, a Petrobras compra esse gás por US$ 3,5 por milhão de BTU (unidade de poder calorífico) e o revende ao mercado por US$ 12,4 por milhão de BTU, "A Petrobras é a maior atravessadora do país", disse o diretor da ANP, Pietro Mendes.

Ele citou o exemplo do Nordeste: a partir da venda de ativos de produção de gás da Petrobras nos governos de Michel Temer e de Bolsonaro, o preço do gás na região é hoje 15% mais barato do que os do Sul e Sudeste, mais concentrados nas mãos da estatal.

Mendes, que é próximo a Silveira e já presidiu o conselho de administração da estatal, é o relator do processo e foi o primeiro a votar a favor da abertura de consulta pública. "Ter múltiplos fornecedores é bom para o mercado", afirmou.

O seguimento do processo foi aprovado por unanimidade na diretoria da ANP, que tem cinco membros, dois deles indicados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrário à venda de ativos da Petrobras.

A partir de agora, o tema será debatido por 45 dias, antes de uma audiência pública para ajustes finais. A ideia é que o primeiro leilão de transferência de contratos da Petrobras para outras empresas ocorra em 2027.

A partir daí, o texto prevê leilões anuais até 2030, quando o programa seria reavaliado. Ele terá como métrica um indicador de concentração de mercado chamado HHI. Hoje, o mercado brasileiro tem um indicador de 3.747, o que o caracterizaria como altamente concentrado.

No Sudeste, o índice supera 4.000 pontos e, no Sul, vai além de 5.000 pontos. O programa tem como meta atingir o patamar de 2.500 pontos, o que levaria o país a um patamar de concentração moderada. Foi escolhida a proposta intermediária, para reduzir impactos na Petrobras.

Ao fim do programa, em 2030, a liberação dos contratos corresponderia a 14% da demanda do mercado, disse a diretora da ANP Symone Araújo. Hoje, a Petrobras domina 59% das vendas de gás natural para o mercado não termelétrico, que é alvo do programa.

Ela disse que liberar o gás de terceiros é suficiente para atingir metas de desconcentração sem comprometer a capacidade de investimento em novos projetos.

Em teleconferência com analistas nesta sexta, a Petrobras voltou a questionar a ofensiva da ANP. Sem mencionar a decisão da agência, repetiu que qualquer mudança regulatória demanda revisão de projetos à luz das novas regras.

"Nossa posição é que a simples transferência de titularidade da molécula do gás não vai garantir concorrência nem redução do preço", reforçou o diretor de Transição Energética da companhia, William Nozaki.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário