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Antidepressivos e fertilidade: especialista alerta para possíveis impactos dos medicamentos na saúde reprodutiva!

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Por Michel Telles
Às

Antidepressivos e fertilidade: especialista alerta para possíveis impactos dos medicamentos na saúde reprodutiva!

Foto: Divulgação

O uso de medicamentos voltados à saúde mental segue em expansão no Brasil. Dados recentes do Conselho Federal de Farmácia apontam que, entre 2022 e 2024, houve um aumento de 18,6% no consumo desses fármacos. O avanço reflete maior conscientização da população sobre transtornos psiquiátricos, redução do estigma e acesso ampliado ao tratamento. Mas, junto a esse movimento, cresce também a preocupação de pessoas que desejam engravidar e têm dúvidas sobre como antidepressivos podem interferir na fertilidade. Embora indispensáveis no tratamento de depressão e ansiedade, esses medicamentos atuam diretamente no sistema nervoso central e podem provocar repercussões no sistema reprodutivo. “Os antidepressivos regulam neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, fundamentais para o equilíbrio emocional. No entanto, essa modulação pode influenciar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, responsável por processos como ovulação, produção hormonal e espermatogênese. Entre os efeitos mais observados estão redução da libido, irregularidades menstruais, alterações no padrão de ovulação e, nos homens, mudanças na produção de espermatozoides”, explica o médico Fábio Vilela, especialista em reprodução humana do IVI Salvador.

Apesar dessa relação, não há evidências de que antidepressivos causem infertilidade permanente. Os possíveis impactos costumam ser temporários e variam conforme o tipo de medicamento, dose, tempo de uso e histórico de saúde do paciente. Em muitos casos, ressalta Vilela, a própria depressão não tratada pode ser mais prejudicial ao ciclo reprodutivo do que o antidepressivo em si. “O desequilíbrio emocional aumenta o cortisol, afeta o ritmo ovulatório e compromete a qualidade seminal. Por isso, suspender o tratamento sem orientação médica jamais deve ser uma opção”, reforça. Nesse contexto, ganha força a importância do acompanhamento multidisciplinar, envolvendo psiquiatras, ginecologistas, urologistas e especialistas em reprodução assistida. A atuação integrada permite avaliar o impacto individual dos medicamentos, investigar perfil hormonal, analisar qualidade dos gametas e definir estratégias seguras para quem está em processo de planejamento familiar. “O ideal é que a equipe médica encontre soluções personalizadas, considerando que cada organismo responde de maneira diferente. Aquilo que funciona para uma paciente pode não ser adequado para outra. Esse diálogo contínuo entre paciente e profissionais é essencial”, acrescenta o especialista.

Para quem enfrenta dificuldade para engravidar, seja por influência dos medicamentos, de condições emocionais ou de outros fatores associados, a Fertilização in Vitro (FIV) se torna uma alternativa importante. O método possibilita uma avaliação detalhada dos óvulos, do sêmen e do ambiente uterino, permitindo identificar pontos que podem estar dificultando a gestação. “Um plano de cuidado bem estruturado leva em conta o histórico emocional da paciente, seu diagnóstico psiquiátrico, idade, tempo de uso dos medicamentos, reserva ovariana, saúde espermática e estilo de vida. São essas decisões integradas que aumentam a segurança do tratamento e as chances de sucesso”, detalha Vilela.

A mensagem dos especialistas é clara: é possível conciliar o uso de antidepressivos com o desejo de engravidar. Com acompanhamento adequado, planejamento individualizado e integração entre saúde mental e reprodutiva, pacientes podem viver ambas as jornadas com mais segurança, confiança e tranquilidade.

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