Artista plástico carioca Marcos Duprat abre a exposição em São Paulo!
Mostra traz obras com extraordinária pulsação cromática, que têm a luz como protagonista, e marca a doação de 12 obras ao Governo de São Paulo

Foto: Divulgação
Marcos Duprat, artista plástico veterano, 81 anos, sendo 51 deles dedicados à carreira artística, abre nova exposição individual, "Matéria e Luz", no dia 20 de maio, das 18h às 22h, no Ateliê Casa Um, onde fica em cartaz até o dia 4 de junho. A mostra é marcada também pela doação, ao Governo de São Paulo, de 12 obras que passam a integrar a coleção artística da sede administrativa do Estado, no Palácio dos Bandeirantes, onde já estão expostas. Na exposição, as pinturas exploram o uso sutil e criterioso da velatura, a técnica tradicional da pintura a óleo que utiliza diversas capas de tintas na construção da imagem. Como Antonio Cicero Lima ressaltou, isso cria a extraordinária pulsação cromática de suas obras.
“Interior vermelho com natureza morta”, 122 X 92 cm, óleo sobre tela (2026)
"Duprat conhece profundamente a complexa relação entre o pintor, a matéria com a qual trabalha e a técnica que emprega. A pintura de Marcos Duprat convida nossa imaginação a não apenas passear pela superfície de suas telas, mas a mergulhar nos seus diáfanos corredores, espelhos, passagens, lagos e mares", diz Antonio Cicero Lima, que integrou a Academia Brasileira de Letras (ABL) e assina texto de apresentação da exposição.
“Por meio do trabalho com a luz, o pintor discute a solidão, o duplo, a impermanência, o transcendente e o onírico. Nas obras presentes nesta mostra, Marcos Duprat explora os limites entre a representação da realidade visível e a criação de espaços pictóricos geométricos em que a luz, denominador comum das obras expostas, têm um papel protagonista, como define o curador Luis Sandes (Doutor em História da Arte pela USP). 
“É mais do que uma honra o encontro com a trajetória sólida, sensível e profundamente comprometida com a arte de um artista da dimensão do Marcos Duprat, aos 81 anos, com mais de cinco décadas dedicadas à pintura. A exposição chega em São Paulo após ser apresentada, lindamente, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, e ela traz consigo um pensamento pictórico raro, no qual a pintura se constrói em camadas de tempo, silêncio e rigor. Para o Ateliê Casa 1, que nasce do desejo de promover encontros verdadeiros entre artistas, obras e o público, a presença do Marcos Duprat é profundamente significativa, porque ela reafirma nosso compromisso com uma arte que se sustenta no tempo, na pesquisa e na potência também do sensível. Receber a individual do Marcos Duprat é um privilégio e também um gesto de reverência a uma obra que nos ensina a ver com mais profundidade a relação entre matéria, luz e existência”, declara Viviana Ximenes, artista visual e fundadora do Ateliê Casa 1. A exposição, em São Paulo, reúne 20 pinturas e 25 desenhos.
No sábado (23), às 11h, o artista Marcos Duprat, a curadora do Acervo dos Palácios do Governo de São Paulo, Renata Rocco, e o curador de arte Luis Sandes participam de “Uma conversa sobre pintura”. “A pintura, junto à dança, é a manifestação artística primordial do ser humano. Desde a pintura rupestre até a arte urbana atual, é bastante evidente esse desejo do ser humano de retratar a imagem, de realizar a imagem. A pintura vai se tornando, cada vez mais, uma espécie de janela pela qual o espectador olha para uma outra realidade, recriada, mas recriada em cima de uma realidade visível. Isso perdura até o final do século XIX, quando os artistas europeus, naquele momento, em Paris, principalmente Van Gogh, Picasso e Gauguin, se interessam pela arte primitiva africana e também pelas gravuras japonesas, que lidam com a cor, a perspectiva, a linha, de uma forma diferente. Isso é uma grande revolução na pintura que provoca, digamos, que traz a pintura do século XX, que é uma pintura moderna, como nós chamamos, em que a superfície pictórica e a interação de forma e cor é o que conta. O olho é atraído não pela recriação de uma realidade visível, mas por esse jogo pictórico, por esse jogo visual de forma e cor realizado”, explica Duprat sobre o tema do bate-papo.


