Autor de homicídio no Maranhão entrega à PF supostas provas contra políticos
Documentos podem auxiliar a comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) em crimes

Foto: Reprodução/Jornal Nacional
Gilbson Cutrim Júnior, condenado por um homicídio no município de São Luís, no Maranhão, encaminhou à Polícia Federal (PF) documentos que podem ajudar a comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) em crimes.
Entre o material entregado estão: um papel escrito à mão com números de processos; a etiqueta que acompanhava um maço de dinheiro vivo; e o vídeo de um carro.
Segundo divulgado pela defesa de Gilbson Júnior, o governador e familiares combinaram com ele a "cobrança de processos referentes a recebíveis de gestões passadas e o transporte de valores para o escritório da família" Brandão.
Conforme detalhado por Gilbson Júnior, o esquema consistia em buscar empresas que tinham valores a receber de governo anteriores e combinar o pagamento, na atual gestão, com a condição de que os empresários devolvessem parte do dinheiro. Para esse esquema, Gilbson Júnior possuía uma relação de processos que poderiam ser utilizados. Confira:
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Na terça-feira (18), foi revelado um depoimento de Gilbson Júnior à PF. No relato, ele afirmou que teve várias reuniões com o governador Carlos Brandão dentro do Palácio dos Leões, sede do Executivo maranhense, e transportava dinheiro para o local.
O ministro Flávio Dino, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, na segunda-feira (17), afastar do cargo o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, suspeito de envolvimento nos crimes e estava presente na reunião no Tech Office que culminou no homicídio.
Gilbson Júnior ainda teria recebido pagamentos mensais, em dinheiro vivo, para ficar em silêncio, de acordo com a defesa. Um dos materiais apresentados à PF, inclusive, é o vídeo do carro que teria sido usado em um dos encontros para recebimento do dinheiro em espécie. Confira:
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A família de Gilbson Júnior tirou uma foto da etiqueta identificável do Banco do Brasil que teria vindo no maço de dinheiro de um dos pagamentos e a apresentou aos investigadores. A ideia é ajudar a polícia a identificar a agência bancária para chegar em quem sacou aquelas notas.
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Por meio de nota, Daniel Brandão afirmou que no início da semana vai comprovar sua "absoluta inocência". Ele disse estar "à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários".
Já o governador Carlos Brandão negou as suspeitas e afirmou que é "revoltante que o depoimento de um réu confesso" seja visto com credibilidade.
Confira nota divulgada pelo governador na íntegra:
"Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa, e de que recebi valores de um criminoso dentro do Palácio. Isso é inadmissível!
É revoltante ver que o depoimento de um réu confesso, que cumpre pena por um assassinato em local público e que mudou a versão sobre o caso, está pautando a discussão, sem qualquer questionamento sobre sua credibilidade ou veracidade. Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas.
Tenho 35 anos de vida pública e até antes do rompimento entre grupos políticos, nunca tinha respondido a nenhum processo. Foi só depois disso que passei a ser alvo de acusações e ações judiciais. Tudo que construí na vida – minha trajetória, minha família, meu patrimônio – foi com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar minha história na lama.
Destaco que minha defesa continua não tendo acesso à integralidade dos autos do inquérito. Mesmo assim, seletivamente, foram publicizadas três decisões.
Destas, me chamou atenção o fato de que a própria Procuradoria-Geral da República se manifestou no sentido de que este caso não deve ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.
Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer. Inclusive, enquanto governador, tenho mais de 70% de aprovação. Por isso, sigo focado no que sempre fiz ao longo de toda a minha vida pública: trabalhar muito pelo povo do Maranhão."


