Bahia entra na pausa para Copa do Mundo buscando virar a página

Após um semestre marcado por oscilações, eliminações e cobranças, Tricolor busca recuperar confiança para a sequência da temporada.

Por Samara Figueiredo
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Bahia entra na pausa para Copa do Mundo buscando virar a página

Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia

Poucos clubes chegam à pausa da Copa do Mundo com um contraste tão grande quanto o Bahia. O Tricolor ocupa a sexta colocação do Campeonato Brasileiro, com 26 pontos conquistados, levantou o título do Campeonato Baiano diante do Vitória e venceu o último compromisso antes do recesso. Ainda assim, o sentimento predominante é de alívio. A equipe fecha os primeiros seis meses de 2026 após atravessar o período mais turbulento desde a consolidação do trabalho de Rogério Ceni.

A temporada começou cercada por expectativa. Depois dos avanços esportivos dos últimos anos, o Bahia iniciou o calendário em 11 de janeiro com o discurso de competitividade em todas as frentes. Os primeiros resultados reforçaram essa percepção. O time acumulou uma sequência de 11 jogos sem derrotas e rapidamente se colocou entre os protagonistas do futebol nordestino.

O primeiro grande objetivo foi alcançado ainda nos meses iniciais da temporada. Em uma final disputada contra o Vitória, o Tricolor conquistou mais um Campeonato Baiano e ampliou a coleção de títulos estaduais. O triunfo parecia consolidar um ambiente positivo para a sequência do ano.

Mas o cenário começou a mudar com o passar dos meses. A derrota para o O'Higgins, fora de casa, encerrou a invencibilidade da equipe e marcou o início de uma fase de instabilidade. O Bahia passou a conviver com dificuldades para transformar desempenho em resultado e viu a confiança construída no começo do ano diminuir rodada após rodada.

A queda de rendimento ficou ainda mais evidente nos torneios eliminatórios. A eliminação na Libertadores frustrou um dos principais objetivos da temporada e interrompeu a caminhada internacional do clube. Pouco tempo depois, a saída precoce da Copa do Brasil ampliou a pressão sobre jogadores e comissão técnica, aprofundando o momento de desgaste que já se instalava nos bastidores.

Foi justamente nesse período que o Bahia atravessou sua pior sequência do ano. Foram oito partidas consecutivas sem vencer, desempenho que aproximou adversários na tabela do Brasileirão e gerou forte insatisfação da torcida. Protestos aconteceram antes, durante e depois dos jogos, enquanto a cobrança sobre Rogério Ceni atingiu um dos níveis mais altos desde sua chegada ao clube. Houve manifestações da torcida organizada, críticas públicas e até mobilizações direcionadas ao treinador fora do ambiente do futebol.

O clima de desgaste foi resumido pelo meia Rodrigo Nestor após a eliminação na Copa do Brasil. Em entrevista ao SporTV, o jogador revelou o impacto emocional da fase negativa e admitiu que parte do elenco passou a conviver com medo das reações externas.

"É difícil falar nesse momento. A gente vem de semanas difíceis pra caramba, de não poder sair de casa, de andar nas ruas com medo. É muito ruim. Esse grupo e a torcida não mereciam isso", desabafou o camisa 11.

Enquanto tentava encontrar respostas dentro de campo, o Bahia também enfrentava problemas importantes no departamento médico. O goleiro Ronaldo ficou afastado por lesão durante parte da temporada, situação que levou o clube a contratar Léo Vieira no último dia da janela de transferências. O substituto assumiu a posição, mas acabou sofrendo a lesão mais grave do elenco em 2026: uma ruptura completa do tendão patelar do joelho direito. A previsão é que ele só volte a atuar na próxima temporada.

Outros nomes importantes também passaram a frequentar o departamento médico. Luciano Juba, um dos destaques da equipe no ano, sofreu lesão no músculo reto femoral da coxa esquerda e deve retornar apenas após a Copa do Mundo. Seu substituto imediato, Iago Borduchi, também se lesionou pouco antes da partida contra o Botafogo. Já Kike Olivera deixou o último jogo do semestre ainda no primeiro tempo após sentir dores no tornozelo e segue em avaliação.

A vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, de virada, na Arena Fonte Nova, evitou que o recesso começasse em meio a uma crise ainda maior. Além de encerrar a sequência negativa, o resultado devolveu um pouco de confiança ao elenco e permitiu que o clube chegasse à pausa ocupando a parte de cima da tabela.

Os números mostram uma campanha competitiva. Em 32 partidas disputadas no semestre, o Bahia somou 17 vitórias, sete empates e oito derrotas. Os resultados contam apenas parte da história. O primeiro semestre tricolor ficou marcado pelo contraste entre conquistas e frustrações, entre momentos de celebração e semanas de forte pressão.

Agora, com o calendário interrompido pela Copa do Mundo, o Bahia terá algumas semanas para recuperar jogadores, buscar ajustes e avaliar possíveis movimentações no mercado. Na última entrevista antes da pausa, Rogério Ceni admitiu a necessidade de encontrar soluções para corrigir falhas que surgiram ao longo das últimas semanas e recolocar a equipe em uma trajetória mais consistente para o restante da temporada. 

"Desse contexto a gente tira que você não pode deixar de lutar nunca, deixar não pode parar em momento nenhum, mesmo quando as coisas estão difíceis. Eu acho que quando as coisas quando os jogos, os resultados não aparecem, parece que o gol vai ficando menor, vai ficando mais difícil de empurrar essa bola para dentro do gol, né? E não desistir. Agora, falei para eles, eles vão esse período de recesso e nós temos que voltar num nível maior, vamos tentar encontrar algumas soluções para que a gente, primeiro, possivelmente, a chegada também de mais um jogador de frente que possa nos dar mais oportunidade de gol, ter mais eficácia, talvez, na hora de concluir a gol. Mas nós vamos sentar, conversar. Eu ainda fico mais dois ou três dias aqui para que a gente possa conversar e tentar ajustar as coisas que escaparam um pouquinho de controle nesse último mês", disse o treinador.  

Se os primeiros meses de 2026 foram marcados por oscilações, eliminações e cobranças, o segundo semestre surge como uma oportunidade para o Bahia redefinir os rumos da temporada. A vitória sobre o Botafogo trouxe algum respiro antes da pausa. A partir de julho, o desafio será transformar esse alívio em recuperação e defender a posição entre os seis primeiros colocados do Campeonato Brasileiro.

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