BAIC chega ao país com três modelos e quer chegar às cinco marcas mais vendidas no país
SUvs da linha marcam entrada: vendas começam até o fim do ano

A BAIC oficializou sua chegada ao mercado brasileiro com operação própria, uma ampla estratégia de expansão e a promessa de produzir veículos no país. A ofensiva comercial começa com os elétricos Arcfox T1 e T5, enquanto um terceiro produto, chamado de T2 durante a apresentação, integra o planejamento inicial da empresa. A pré-venda do T1 será aberta em outubro, com as primeiras entregas previstas para novembro.
Mais do que uma nova fabricante chinesa no Brasil, a BAIC carrega uma trajetória de quase sete décadas. Fundado em 1958, o grupo atingiu em agosto de 2026 a marca histórica de 40 milhões de veículos produzidos. Somente em 2025 foram comercializadas 1,752 milhão de unidades, crescimento de 5,6% sobre o ano anterior. Desse volume, 1,07 milhão correspondeu às marcas próprias do conglomerado. A companhia mantém operações em mais de 140 países e regiões, além de 28 fábricas no sistema KD e mais de 1.500 pontos de vendas e serviços no mundo. BAIC Global
A dimensão do grupo também pode ser medida por sua presença entre as maiores companhias da China. Em 2025, a BAIC ocupou a 201ª posição no ranking Fortune Global 500 e foi classificada como o quinto maior grupo automotivo chinês. Portanto, é mais preciso defini-la como uma das cinco maiores fabricantes da China, e não do mundo.
Rede começa com 50 lojas
A estrutura comercial brasileira deve iniciar as atividades com 50 pontos de venda distribuídos por 15 regiões metropolitanas. A empresa afirma já ter aproximadamente 30 grupos de concessionários nomeados, vários deles presentes no anúncio realizado durante o Festival Interlagos.
A expansão será acelerada ao longo de 2027, quando a BAIC pretende avançar sobre cidades médias e alcançar cerca de 150 concessionárias até o fim do ano. O objetivo é construir uma cobertura nacional capaz de sustentar a chegada de elétricos, híbridos, modelos flex, utilitários esportivos e uma futura picape.
“Tenho a missão de oferecer um pós-venda que transmita confiança e uma visão de longo prazo”, afirmou Oswaldo Ramos, executivo responsável pela operação brasileira. Segundo ele, o consumidor nacional procura elétricos compactos para o uso urbano, mas também quer SUVs híbridos desenvolvidos de acordo com as condições e preferências locais.
Arcfox T1 será o primeiro lançamento
O Arcfox T1 será a porta de entrada da BAIC no país. Embora tenha formato próximo ao de um hatch, suas dimensões o colocam entre os compactos e os SUVs: são 4,33 metros de comprimento, 1,57 metro de altura, 2,77 metros de distância entre-eixos e 18 centímetros de vão livre do solo.
Na China, o modelo pode alcançar 425 quilômetros de autonomia pelo ciclo CLTC, dependendo da configuração. Potência, bateria, equipamentos e preços da versão brasileira ainda serão detalhados. A estratégia será disputar clientes que atualmente compram modelos a combustão, oferecendo mais espaço e equipamentos para facilitar a migração ao carro elétrico.
“Queremos o consumidor do carro a combustão e queremos trazê-lo para o elétrico. O T1 tem tamanho de Creta e compete em equipamentos e itens de série”, afirmou Ramos.
T5 assume posição de topo
O Arcfox T5 será o SUV médio e o modelo mais sofisticado da primeira fase da operação. A configuração apresentada pela fabricante utiliza bateria de 74 kWh, arquitetura elétrica de 800 volts e autonomia declarada de até 660 quilômetros pelo ciclo chinês NEDC.
O sistema admite recarga rápida de 30% a 80% em aproximadamente 17 minutos. O veículo também oferece recursos de assistência à condução de nível 2 e coeficiente aerodinâmico de 0,24 Cx. A carroceria tem aproximadamente 4,69 metros de comprimento, 1,93 metro de largura e 1,65 metro de altura.
Na China, o T5 é oferecido com diferentes baterias e motores de até 272 cv, mas a ficha técnica definitiva para o mercado brasileiro ainda não foi confirmada. O T2, por sua vez, deverá ser apresentado posteriormente, dentro do cronograma que prevê novos produtos em intervalos de aproximadamente três meses.
Uma história que começou em 1958
A origem da BAIC está ligada à própria formação da indústria automobilística chinesa. Em 1958, a empresa produziu em Pequim o Jinggangshan, considerado o primeiro automóvel desenvolvido na capital chinesa. Poucos anos depois, consolidou sua presença no segmento fora de estrada com o BJ212, lançado em 1966 e produzido durante mais de cinco décadas, com volume superior a 1,2 milhão de unidades.
Na mesma época surgiu o BJ130, caminhão leve que se tornou uma referência da indústria chinesa e teve seu projeto reproduzido em diferentes regiões do país. Esses veículos ajudaram a construir a imagem da BAIC como especialista em utilitários, comerciais e modelos de uso severo.
Em 1983, o grupo participou da criação da Beijing Jeep, considerada a primeira joint venture de produção de veículos da China. A companhia ampliou sua atuação nos anos seguintes com a criação da Foton, especializada em caminhões e veículos comerciais, e com acordos industriais firmados com Hyundai, em 2002, e Mercedes-Benz, em 2005.
Outro capítulo importante ocorreu em 2009, quando a BAIC adquiriu da antiga Saab tecnologias, plataformas e ferramentas industriais utilizadas em modelos como os Saab 9-3 e 9-5. O conhecimento sueco contribuiu para o desenvolvimento de uma nova geração de automóveis próprios da fabricante chinesa.
Mais recentemente, a companhia avançou na eletrificação e na conectividade por meio de parcerias com empresas como Magna e Huawei. A Arcfox, criada em 2019, concentra os crossovers elétricos mais tecnológicos do grupo, enquanto a Stelato ocupa uma posição de luxo e utiliza tecnologias desenvolvidas em conjunto com a Huawei. A previsão é que a Stelato também desembarque no Brasil dentro de aproximadamente dois anos.
Produção brasileira não será apenas montagem
A BAIC afirma que a fabricação nacional já está decidida, embora ainda não revele onde será instalada a unidade, quais veículos serão produzidos ou o volume do investimento. Entre as possibilidades estudadas estão a construção de uma fábrica nova, a aquisição de uma planta existente ou a utilização de uma instalação já disponível.
Segundo Oswaldo Ramos, o projeto não será limitado à montagem de kits SKD ou CKD. A intenção é nacionalizar componentes, importar somente aquilo que não puder ser produzido localmente e criar um centro de engenharia para adaptar os veículos às condições brasileiras.
“Vamos vender carros, fabricar no Brasil e ter um centro de engenharia desenvolvendo produtos para o mercado nacional e de acordo com o gosto do público brasileiro”, afirmou o executivo.
O planejamento prevê dez produtos no portfólio até 2028, incluindo cinco SUVs, quatro crossovers e uma picape. Nesse mesmo período, a BAIC pretende entrar no grupo das dez marcas mais vendidas do país. Para 2030, a meta é ainda mais ousada: alcançar uma posição entre as cinco maiores e transformar o Brasil na principal operação do grupo fora da China.


