• Home/
  • Notícias/
  • Economia/
  • Banco do Brasil: alta da inadimplência e calote de R$ 3,6 bi elevam alerta do Mercado

Banco do Brasil: alta da inadimplência e calote de R$ 3,6 bi elevam alerta do Mercado

Atrasos acima de 90 dias sobem para 5,17% no 4º trimestre, pressionados principalmente pelo agronegócio

Por Da Redação
Às

Banco do Brasil: alta da inadimplência e calote de R$ 3,6 bi elevam alerta do Mercado

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Embora tenha encerrado 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, o Banco do Brasil passou a ser observado com mais cautela pelo mercado financeiro após registrar aumento na inadimplência e divulgar um calote de R$ 3,6 bilhões no balanço do quarto trimestre. Segundo o banco, a operação envolveu um único cliente, que entrou em atraso no fim de 2025 durante uma negociação. A dívida foi regularizada em janeiro de 2026 e posteriormente cedida a terceiros. Mesmo assim, o episódio trouxe à tona um problema mais amplo: o crescimento dos atrasos no pagamento de empréstimos em um cenário de juros elevados no país.

De acordo com o balanço, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre de 2025, ante 4,51% no trimestre anterior e 3,16% no mesmo período de 2024. Desconsiderando o efeito do calote específico, a taxa teria ficado em 4,88%. Na prática, isso significa que aumentou a parcela de clientes que demora mais de três meses para quitar dívidas, elevando o risco de perdas e a necessidade de provisões reservas que os bancos mantêm para cobrir possíveis prejuízos.

Mesmo sem considerar o evento isolado, o Banco do Brasil terminou o ano com a maior inadimplência entre os grandes bancos tradicionais. No mesmo período, o Itaú Unibanco registrou índice de 2,4%; o Santander Brasil, 3,7%; e o Bradesco, 4,1%. O Nubank, em dado referente ao segundo trimestre, apresentou taxa de 6,6%. O principal foco de pressão está no agronegócio. A inadimplência no segmento rural chegou a 6,1% no quarto trimestre, com alta expressiva em relação ao ano anterior. O banco é o maior financiador do setor no país e responde por quase metade do crédito concedido ao agro.

Em dezembro de 2025, a carteira de crédito rural somava R$ 406,1 bilhões, o equivalente a 31,3% da carteira total da instituição. No âmbito do Plano Safra 2025/2026, entre julho e dezembro, foram desembolsados mais de R$ 116 bilhões.No quarto trimestre, as provisões para cobrir possíveis perdas no agronegócio chegaram a R$ 10,5 bilhões.

Para tentar conter o avanço dos atrasos, o banco lançou o programa BB Regulariza Dívidas Agro, que permite renegociar débitos de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural com prazos de até nove anos. Até dezembro, R$ 22,6 bilhões haviam sido renegociados com mais de 15 mil produtores.

Analistas avaliam que a normalização da inadimplência deve ocorrer de forma gradual, acompanhando eventual redução da taxa básica de juros. O próprio banco projeta crescimento modesto da carteira agro em 2026, entre retração de 2% e alta de 2%. Após a divulgação do resultado, as ações do Banco do Brasil chegaram a subir mais de 8%. Nesta sexta-feira (13), porém, os papéis operavam em queda de 3,38%, cotados a R$ 15,15.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário

Nome é obrigatório
E-mail é obrigatório
E-mail inválido
Comentário é obrigatório
É necessário confirmar que leu e aceita os nossos Termos de Política e Privacidade para continuar.
Comentário enviado com sucesso!
Erro ao enviar comentário. Tente novamente mais tarde.