Bispos católicos fazem alerta sobre Flávio Bolsonaro e pedem voto em defesa da democracia
Carta reúne 35 bispos, que criticam propostas de Flávio e pedem voto em defesa da democracia

Foto: Divulgação
Uma carta assinada por 35 bispos católicos de diferentes dioceses brasileiras manifesta preocupação com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. No documento, intitulado “Carta ao Povo de Deus”, os religiosos apontam divergências entre as propostas atribuídas ao parlamentar e os ensinamentos sociais da Igreja Católica.
Os bispos classificam o cenário eleitoral como “muito grave” e afirmam que uma das candidaturas em disputa representa uma ameaça à democracia, à soberania nacional e ao bem comum. Embora não citem diretamente o nome de Flávio Bolsonaro nos trechos críticos, fazem referências ao histórico político de sua família e a posições associadas ao senador.
Ao longo do texto, os religiosos convocam os fiéis a participar das eleições e a considerar questões sociais e democráticas na decisão do voto.
“Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”, diz o documento.
Trabalho, armas e meio ambiente
Entre os pontos destacados pelos bispos está a escala de trabalho 6x1. Segundo o documento, a posição contrária ao fim desse modelo de jornada entra em conflito com os princípios da Igreja relacionados à dignidade dos trabalhadores e às condições de trabalho.
Os religiosos também criticam propostas de ampliação do acesso às armas, além de apontarem divergências em relação ao combate à pobreza e à preservação ambiental.
Na avaliação dos signatários, a política de armamento contraria as orientações da Doutrina Social da Igreja, que defende o desarmamento e alerta para os riscos do aumento da circulação de armas.
A questão ambiental também aparece entre as preocupações. Os bispos afirmam que uma das candidaturas nega a crise climática e pretende dar continuidade a políticas que, segundo o documento, contribuíram para a devastação ambiental.
Carta critica relação com os Estados Unidos
A política externa é outro tema abordado pelos religiosos. No texto, eles criticam o que descrevem como uma proposta de submissão do Brasil aos Estados Unidos.
Os bispos também mencionam a participação de um dos candidatos em uma suposta articulação relacionada à taxação de produtos brasileiros, em referência ao tarifaço determinado pelo presidente norte-americano Donald Trump.
O documento ainda cita a exploração de terras raras por empresas estrangeiras e a defesa de interferência externa nas eleições brasileiras como questões que, na avaliação dos signatários, contrariam os princípios de soberania nacional.
Religiosos questionam risco à democracia
Outro trecho da carta faz referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador Flávio Bolsonaro. Os bispos mencionam o histórico familiar do candidato e criticam declarações que, segundo eles, representam ameaças à ordem constitucional.
O texto também manifesta preocupação com uma possível concentração de poder caso o candidato seja eleito. Na avaliação dos religiosos, a eventual formação de uma ampla base de apoio no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF) poderia criar condições para uma usurpação do poder.
As afirmações fazem parte do posicionamento político expresso pelos signatários no documento.
Carta faz referência indireta a Lula
Embora concentre críticas em uma das candidaturas, a carta também aborda o outro concorrente à Presidência sem mencionar diretamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os bispos afirmam que a candidatura adversária, apesar de também estar sujeita a críticas, demonstrou responsabilidade com os mais pobres e com a preservação da chamada “Casa Comum”, expressão utilizada pela Igreja para tratar do cuidado com o meio ambiente.
O documento também afirma que essa candidatura atuou dentro dos limites da ordem democrática e respeitou a Constituição.
“Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, diz outro trecho da carta.
Quem assina o documento
Entre os signatários citados estão dom Evaristo Pascoal Spengler, da Diocese de Roraima; dom Adolfo Pereira, da Diocese do Alto Solimões; e dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus.
Ao todo, conforme o documento encaminhado à reportagem, 35 bispos de diferentes dioceses brasileiras assinam a carta, que apresenta argumentos baseados na Doutrina Social da Igreja para defender a participação eleitoral e a atenção a temas como democracia, pobreza, trabalho e meio ambiente.


