Bolsa de Ação Climática supera R$ 12 bi em ativos e tem como expectativa criação de crédito de carbono azul!
Aos detalhes...

Foto: Agência Brasil
A Bolsa de Ação Climática, a B4, apresenta um conjunto de indicadores que reposiciona o mercado voluntário de carbono no país. No balanço do primeiro semestre, somam-se mais de 1.200 projetos inscritos para listagem, 37 deles em processo ativo — todos com anúncio previsto ainda para 2026 — e 11 projetos listados e em plena operação. Em termos financeiros, a plataforma guarda mais de R$ 12 bilhões em ativos sustentáveis sob custódia e registra cerca de 4,5 milhões de toneladas de créditos de carbono negociados apenas neste ano.
Os números confirmam o que parte do setor já sinalizava: o chamado PIB Verde brasileiro não é mais uma promessa para o médio prazo. Há a expectativa de criação de um novo eixo: o crédito de carbono azul - compreendendo o trabalho de recuperação e preservação de rios e manguezais.
Nordeste no centro da agenda
Entre os projetos em processo de listagem, o impacto social chama atenção tanto quanto o ambiental. A estimativa é que cerca de 120 mil famílias no Nordeste do Brasil sejam beneficiadas diretamente ainda em 2026, uma das regiões com maior vulnerabilidade climática e socioeconômica do país. Um dos projetos centrais nesse recorte é a Confaf, iniciativa que conecta preservação ambiental e geração de renda para comunidades que historicamente não eram remuneradas por sua relação com a natureza. Para essas famílias, a B4 representa uma via concreta de acesso à economia de baixo carbono: a floresta em pé, o mangue preservado, a caatinga intacta passam a ter valor de mercado e a remunerar quem os protege.
"O que estamos vendo hoje não é só um crescimento de mercado. É a prova de que é possível construir uma economia em que preservar vale mais do que destruir. A Confaf é um exemplo concreto disso: comunidades nordestinas que sempre souberam cuidar da terra e que agora começam a ser pagas por esse trabalho. Esse é o Brasil que a B4 quer financiar", afirma Odair Rodrigues, CEO da B4.
Mercado em maturação
O volume de R$ 12 bilhões em ativos sob custódia representa não apenas a capitalização da plataforma, mas a materialização de um mercado que chegou à fase de execução. Créditos que antes circulavam de forma informal, bilateral e sem critérios padronizados agora passam por processos de listagem com exigências técnicas definidas — o que agrega segurança jurídica e financeira às transações.
A previsão é que, até o fim de 2026, os 37 projetos em fase ativa de listagem estejam anunciados e disponíveis para negociação, ampliando ainda mais a liquidez do mercado e o alcance social da iniciativa.

