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Bolsa renova recorde pelo segundo dia seguido, com investidores de olho em liquidação da Reag

É a primeira vez que o Ibovespa alcança 166 mil pontos

Por FolhaPress
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Atualizado
Bolsa renova recorde pelo segundo dia seguido, com investidores de olho em liquidação da Reag

Foto: Divulgação / B3

A Bolsa avançou 0,25% nesta quinta-feira (5) e fechou em novo recorde pelo segundo dia consecutivo ao marcar 165.568 pontos. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, chegou a 166.069 pontos no pico do pregão, nova máxima durante o período de negociações. É a primeira vez, também, que o índice alcança 166 mil pontos. Já o dólar caiu 0,62% e encerrou o dia cotado a R$ 5,367.

Os investidores acompanharam a liquidação extrajudicial da Reag, envolvida no caso de fraude bilionária do Banco Master. Na ponta internacional, atritos entre o presidente Donald Trump e o chefe do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, e o arrefecimento de tensões entre os norte-americanos e o Irã foram destaque.

O BC (Banco Central) decretou pela manhã a liquidação da Reag Trust, instituição investigada por participar de suposta ciranda financeira que inflava artificialmente ativos no caso Master com o uso de fundos de investimento. Ela também é suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). 

A Reag tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). No ranking de administradoras, ela aparece na 11ª posição no país. A liquidação foi decretada um dia depois de a Polícia Federal deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

Segundo o BC, a liquidação da Reag ocorreu "por graves violações às normas" do sistema financeiro. A liquidação não gerou "grandes impactos na entrada de capital e na alocação", avalia Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.

A percepção do mercado, segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, é que a liquidação da Reag não gera risco sistêmico. "O movimento já era, em parte, esperado pelo mercado, especialmente após a instituição ser citada em investigações recentes", afirma. "No momento, o caso é tratado como um evento isolado, e uma reação mais negativa só ocorreria caso as investigações avançassem para instituições de maior relevância ou trouxessem algum risco de contágio financeiro, o que parece limitado."

Os investidores se voltam, então, ao cenário internacional. Donald Trump afirmou, na quarta-feira, que não tem planos de demitir Jerome Powell do cargo de presidente do Fed, apesar de uma investigação criminal contra o chefe da autoridade monetária norte-americana estar em curso. Ao ser questionado se o inquérito lhe daria motivos para demitir Powell, Trump afirmou: "No momento, estamos um pouco em um padrão de espera com ele, e vamos determinar o que fazer. Mas não posso entrar no assunto. É muito cedo. Muito cedo."

A investigação apura se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo da reforma de dois prédios do Federal Reserve em Washington, em projeto estimado em US$ 2,5 bilhões. Powell nega ter cometido qualquer irregularidade e disse que as ações "sem precedentes" são um pretexto para pressioná-lo. O presidente do Fed não tem atendido às demandas de Trump por taxas de juros mais baixas, e as decisões de polícia monetária do comitê do banco central estão sendo tomadas a partir da análise de dados econômicos.

"A questão central é se o Fed conseguirá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação", escreveu Powell em pronunciamento oficial no domingo (11).

Trump tem exercido pressão pública sobre Powell desde antes mesmo de assumir o cargo. À luz das eleições de meio de mandato para o Congresso, em novembro, o republicano está atento à opinião dos norte-americanos sobre as questões de custo de vida. Para os eleitores, Trump tem lidado mal com elas. O mandato de Powell à frente do banco central termina em maio. Trump disse estar inclinado a nomear o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, para o cargo. "Os dois Kevins são muito bons", disse Trump. "Tem outras pessoas boas. Anunciarei algo nas próximas semanas."

Ele ainda rejeitou a opinião amplamente difundida entre analistas, investidores e autoridades econômicas em todo o mundo de que a erosão da independência do banco central poderia prejudicar o valor do dólar e provocar inflação. "Não me importo", disse ele. "Eles devem ser leais. É isso que eu digo."

Ainda, as tensões militares envolvendo os Estados Unidos e o Irã seguiram no radar. Trump ameaçou intervir no país persa em apoio aos manifestantes que protestam contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
Mas, na quarta, o republicano baixou o tom de suas ameaças. "Me disseram que a matança no Irã está parando, e que não há plano para execuções", disse, em referência aos relatos de que manifestantes seriam julgados e condenados à morte.

"Hoje, com a percepção reduzida de risco de uma ação militar americana contra o Irã, após o regime iraniano interromper as execuções de manifestantes, os investidores reacendem o apetite por risco no mercado", disse Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX, em comentário escrito. "Outra notícia que contribui para uma arrefecida geral de riscos foi a fala de Donald Trump afirmando também que não pretende demitir o presidente do Fed."

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