Brasil atinge pela 1ª vez nível de “muito alto desenvolvimento humano”, diz ONU
País alcançou IDH de 0,805 em 2024, melhor resultado da série histórica

Foto: Governo do Brasil
O Brasil alcançou, pela primeira vez, a faixa de “muito alto desenvolvimento humano” no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), segundo relatório divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O índice brasileiro chegou a 0,805 em 2024 — a melhor marca da série histórica — superando a faixa de 0,800, considerada pela ONU como patamar de “muito alto desenvolvimento humano”.
Os dados fazem parte do estudo “Radar IDHM: evolução do Índice de Desenvolvimento Municipal e de seus componentes”, apresentado na sede do PNUD, em Brasília. O levantamento mostra que o país saiu de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, mesmo após as quedas registradas durante a pandemia da Covid-19, em 2020 e 2021. Nos anos seguintes, o índice voltou a crescer, passando de 0,788 em 2022 para 0,798 em 2023, até atingir o novo recorde em 2024.
Durante o lançamento do relatório, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o resultado é reflexo de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais.Segundo ele, programas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, ampliação da cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) e avanços na educação contribuíram para o crescimento do indicador.
O IDHM é calculado com base em três eixos principais: longevidade, educação e renda. O estudo utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, em parceria com pesquisadores da Fundação João Pinheiro.
O relatório também aponta redução das desigualdades regionais no país. Os maiores avanços proporcionais entre 2012 e 2024 foram registrados em estados do Nordeste, com destaque para Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte. Outro dado apresentado pelo PNUD mostra que a população negra teve crescimento de 10,3% no IDHM no período analisado, ritmo superior ao registrado pela população branca, que avançou 5,5%. Apesar disso, ainda permanece diferença entre os grupos: o índice da população branca ficou em 0,851, enquanto o da população negra alcançou 0,774.
O relatório também reforça o alinhamento do Brasil com as metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), voltadas à redução das desigualdades e ao desenvolvimento sustentável.


