Ex-servidor investigado por esquema de venda de decisões no STJ tenta acordo de delação premiada
Apesar das expectativas, não há confirmação de que a eventual delação envolverá ministros do STJ

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A investigação sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias. O caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, está prestes a entrar em uma nova fase, segundo informações divulgadas pelo colunista Robson Bonin, da coluna Radar, da revista Veja.
De acordo com a reportagem, a Polícia Federal informou que o ex-servidor Márcio José Toledo Pinto, apontado como um dos principais operadores do suposto esquema ligado ao lobista Andreson Gonçalves, decidiu romper o silêncio e buscar um acordo de colaboração premiada.
Caso o acordo seja firmado, Toledo afirma que poderá apresentar uma extensa lista de decisões do STJ que, segundo ele, teriam sido vazadas ou manipuladas mediante pagamento de propina. Além disso, diz estar disposto a explicar o funcionamento de cada suposta fraude processual e identificar os clientes envolvidos no esquema.
Até o momento, não há confirmação de que a eventual delação envolverá ministros do STJ. Também não foi divulgado se a proposta será formalmente analisada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pela Polícia Federal ou por ambas as instituições. Segundo a reportagem, a lista mencionada pelo ex-servidor incluiria decisões supostamente negociadas e compradores ligados a figuras de destaque da República e a grandes empresas, inclusive multinacionais.
Se a colaboração avançar e as informações forem confirmadas pelas autoridades, a investigação poderá ganhar uma dimensão muito maior. A expectativa é de que o conteúdo apresentado por Toledo amplie significativamente o alcance das apurações conduzidas pela Polícia Federal, uma vez que o suposto esquema teria funcionado durante vários anos.
Ex-assessor da ministra Isabel Gallotti, Márcio José Toledo Pinto foi preso preventivamente em março de 2026 por determinação do ministro Cristiano Zanin, no âmbito das investigações sobre obstrução de Justiça relacionada ao caso. Recentemente, ele trocou de defesa para viabilizar a negociação do acordo de delação premiada. Ainda segundo a reportagem, documentos e informações sensíveis estariam armazenados em local considerado seguro.
Até o momento, não há homologação de acordo de colaboração premiada nem confirmação oficial, por parte da PGR ou do STF, sobre o conteúdo das informações que o ex-servidor pretende apresentar.


