Brasil lidera crescimento das viagens corporativas e movimentará US$ 35,8 bilhões em 2026!

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Por Michel Telles
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Brasil lidera crescimento das viagens corporativas e movimentará US$ 35,8 bilhões em 2026!

Foto: Pedro Góes é CEO da Paytrack

O Brasil deverá movimentar US$ 35,8 bilhões (cerca de R$ 183,6 bilhões) em viagens corporativas em 2026, mantendo-se como o 10º maior mercado do mundo, segundo o relatório anual da Global Business Travel Association (GBTA). A projeção representa crescimento de 13,8% em relação a 2025, o maior entre os 15 principais mercados globais, colocando o país na liderança da expansão desse grupo. 

O avanço brasileiro ocorre em um mercado que deve movimentar US$ 1,71 trilhão (aproximadamente R$ 8,73 trilhões) em todo o mundo neste ano, com crescimento estimado de 7,2%. A expansão dos gastos, porém, será significativamente superior ao aumento de 1,3% no volume de viagens, indicando que parte relevante desse movimento está relacionada à elevação dos preços. Para as empresas, o cenário reforça a necessidade de ampliar o controle sobre custos, a antecedência das compras e a previsibilidade orçamentária. 

O relatório também mostra que os principais mercados já recuperaram os níveis nominais de gastos anteriores à pandemia. Ao fim de 2025, todos os 15 maiores mercados globais, com exceção da China, já haviam retomado os níveis nominais de gastos registrados em 2019. A expectativa é que o mercado chinês alcance esse patamar em 2026. 

Para Pedro Góes, CEO da Paytrack, empresa de tecnologia especializada na gestão integrada de viagens, despesas e pagamentos corporativos, os dados apresentados durante a GBTA Convention 2026, em Chicago, nos Estados Unidos, mostram que o principal desafio do setor já não está na retomada das viagens, mas na gestão do crescimento e dos custos. 

“As viagens corporativas voltaram a ocupar um espaço relevante na estratégia das empresas, apoiando a expansão dos negócios, o relacionamento com clientes e a integração das equipes. O crescimento projetado para o Brasil mostra a força desse mercado, mas também exige mais atenção à forma como os recursos são planejados e utilizados”, afirma. 

Segundo Góes, o descompasso entre o crescimento dos gastos e o volume de deslocamentos marca uma nova etapa para o setor, caracterizada pela pressão sobre os orçamentos e pela necessidade de maior eficiência. 

“Os números mostram que os gastos das empresas com viagens corporativas estão crescendo em ritmo superior ao volume de deslocamentos. Esse descompasso indica que as companhias continuam viajando, mas enfrentam um ambiente mais caro, influenciado pela alta dos combustíveis, pelos custos da aviação e pelas incertezas geopolíticas. A resposta precisa passar por mais planejamento, dados e capacidade de antecipação”, explica. Na América Latina, a projeção é de 64 milhões de viagens corporativas em 2026, com crescimento de 1,5% no volume.  

O levantamento da GBTA mostra que a demanda global permanece aquecida. Em 2025, 74% dos viajantes corporativos entrevistados em 66 mercados afirmaram ter viajado tanto quanto ou mais do que no ano anterior. O gasto médio por viagem chegou a US$ 875 (cerca de R$ 4.466), enquanto transporte aéreo e hospedagem responderam juntos por 52% das despesas, reforçando o peso desses itens na estrutura de custos das empresas. 

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