Brasil não deve aderir a aliança dos EUA sobre minerais críticos e terras raras
Governo avalia que proposta atende a interesses americanos e defende domínio do ciclo de processamento

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo brasileiro não pretende integrar a aliança anunciada nesta semana pelos Estados Unidos sobre minerais críticos e terras raras. O tema deve ser tratado em encontro que está sendo articulado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para março, na Casa Branca. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a decisão não compromete a relação entre os dois países.
Na quarta-feira (4), o governo americano reuniu representantes de 54 países, além da União Europeia, para apresentar a proposta. O Brasil participou do encontro por meio de um diplomata lotado na embaixada brasileira em Washington. Segundo uma fonte do governo, o envio de um representante de menor hierarquia já indicava que o país não tem intenção de aderir à iniciativa.
Durante a reunião, os Estados Unidos apresentaram a ideia de formar um bloco comercial para coordenar a produção, o refino e os preços de minerais críticos, com o objetivo de reduzir a influência da China nesse mercado. De acordo com integrantes do governo brasileiro, a participação do Brasil teve como foco apenas acompanhar a proposta e compreender o posicionamento dos demais países.
Internamente, a avaliação é de que o modelo sugerido pelos EUA limita a autonomia dos países participantes e atende prioritariamente aos interesses americanos. O Brasil possui a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo, atrás apenas da China.
O governo Lula defende a ampliação do domínio nacional sobre o processamento desses minerais e avalia que não há interesse em atuar apenas como fornecedor de matéria-prima. A posição busca evitar a repetição de práticas adotadas em outros setores, nos quais o país exportou recursos naturais sem processamento ou agregação de valor.
Segundo fontes do governo, a proposta americana também contrasta com a estratégia brasileira de diversificar parcerias internacionais. O Brasil mantém disposição para dialogar com Estados Unidos, União Europeia, China e Índia, inicialmente por meio de negociações bilaterais.
O tema deve integrar a agenda das próximas viagens internacionais do presidente Lula à Índia e à Coreia do Sul, previstas para este mês.


