Brasil tenta convencer EUA de que acordo seria melhor que taxas de 25%
Governo busca entendimento até 15 de julho e contesta acusação de práticas comerciais desleais feita por Washington

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do país.
A avaliação do governo federal é de que ainda há espaço para um acordo que seja mais vantajoso para ambos os lados e afaste a possibilidade de novas barreiras tarifárias. Entre os argumentos apresentados pelos negociadores brasileiros está o fato de que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral com o Brasil.
A recomendação do USTR foi divulgada na última semana e tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. No relatório, o órgão cita supostas práticas que prejudicariam empresas dos Estados Unidos, incluindo críticas ao sistema de pagamentos Pix, apontado como um fator que favoreceria empresas brasileiras em detrimento de companhias estrangeiras do setor.
O governo brasileiro rejeitou as alegações e classificou os argumentos como infundados. Além disso, afirmou que a iniciativa representa uma tentativa de interferência em questões internas do país e reflete uma postura de protecionismo comercial por parte de Washington.
Outro ponto destacado pelo Brasil é que a tarifa média aplicada sobre produtos importados dos Estados Unidos é de apenas 2,7%, percentual que, segundo o governo, não sustenta a tese de restrições significativas ao acesso de empresas norte-americanas ao mercado brasileiro.
As negociações agora têm como referência o prazo de 15 de julho, data estabelecida pelo USTR para uma decisão final sobre o tema. A expectativa do governo brasileiro é utilizar esse período para avançar nas tratativas e construir uma solução negociada.
O cronograma amplia o prazo inicialmente previsto após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em Washington no mês passado. Na ocasião, havia sido estabelecido um período de 30 dias para as negociações, prazo que se encerraria neste domingo (7).


