Busca por preservação da fertilidade cresce no Brasil e soma 56 mil ciclos de fertilização in vitro em 2024
Com mais de 128 mil congelamentos de embriões e 14.893 ciclos de congelamento de óvulos realizados em 2024, dados revelam maior conscientização sobre a importância do aconselhamento reprodutivo

Foto: Acervo Huntington Cenafert
O número de procedimentos de preservação da fertilidade segue em alta no Brasil. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram crescimento nos congelamentos de embriões e de óvulos em centros de reprodução assistida ao longo de 2024, refletindo mudanças no planejamento reprodutivo e nos modelos familiares no país.
O levantamento aponta ainda que quase 56 mil ciclos de fertilização in vitro (FIV) foram realizados no país em 2024. Para a especialista em medicina reprodutiva e diretora médica da Huntington Cenafert, Gérsia Viana, os dados refletem mudanças no comportamento reprodutivo da população. “O aumento expressivo no número de congelamentos de embriões e de óvulos reforça uma tendência do mundo contemporâneo, que é o adiamento da maternidade”, afirma.
Na Bahia, 2.593 embriões foram congelados em 2024, número superior ao registrado em 2023, quando houve 2.524 procedimentos. O congelamento de óvulos apresentou crescimento ainda mais significativo no estado, com alta de 25,9%, passando de 390 ciclos em 2023 para 491 em 2024.
“Esses números também revelam uma maior conscientização sobre a importância de planejar uma gravidez futura, considerando que a fertilidade feminina diminui com o avanço da idade, o que pode dificultar uma gestação espontânea”, destaca a especialista.
Entre as principais estratégias para preservar a fertilidade feminina está a vitrificação, técnica avançada de criopreservação de gametas femininos. O método permite altas taxas de gestação, pois mantém as características, a idade e a qualidade dos óvulos no momento do congelamento. O sucesso do procedimento está diretamente relacionado à idade da mulher e à quantidade de óvulos preservados, sendo recomendado que o congelamento ocorra antes dos 35 anos. Quanto mais jovens e numerosos forem os óvulos congelados, maiores são as chances de uma fertilização bem-sucedida. Apesar dessa recomendação, a procura pelo procedimento tem crescido tanto entre mulheres com menos de 35 anos quanto entre aquelas acima dessa faixa etária.
A vitrificação amplia as possibilidades para mulheres que priorizam o desenvolvimento profissional e optam por adiar a maternidade para fases mais avançadas da vida.
Outra alternativa relevante para a preservação da fertilidade é o congelamento de embriões para implantação futura. Nesse caso, é realizado o procedimento de fertilização in vitro, no qual os óvulos coletados são fecundados com espermatozoides do parceiro ou de um doador. Os embriões formados são congelados e podem ser implantados no útero no momento em que a paciente decidir engravidar.
A ampliação da busca por tratamentos de fertilidade também está associada à consolidação de novos modelos familiares no Brasil. Arranjos como maternidade ou paternidade solo, famílias formadas por casais homoafetivos, coparentalidade e famílias reconstituídas, conhecidas como “mosaico”, já representam mais de 50% das estruturas familiares no país.
Dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que as famílias tradicionais, formadas por casais com filhos, correspondem atualmente a 42% dos arranjos familiares brasileiros.


