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BYD prepara soldagem e pintura em Camaçari e avança com produção nacional

Novos edifícios preparam nacionalização dos produtos na fábrica

Por Marcos Camargo Jr.
Às

BYD prepara soldagem e pintura em Camaçari e avança com produção nacional

Líder nas vendas de carros elétricos e híbridos plug-in no Brasil, a BYD prepara uma nova etapa industrial para sustentar sua expansão no país. Com o Dolphin Mini à frente dos elétricos e a família Song na liderança entre os híbridos recarregáveis, a fabricante concluiu as obras civis dos galpões de soldagem e pintura de Camaçari, na Bahia. As estruturas estão em testes operacionais, enquanto a estamparia segue em construção. A meta é iniciar 2027 com uma produção mais nacionalizada.

O avanço ocorre no primeiro aniversário da operação baiana, que começou com a montagem de conjuntos importados e agora se prepara para incorporar mais etapas da fabricação. Segundo a BYD, mais de 1.100 profissionais já foram contratados e estão em treinamento para atuar nas novas unidades. Outros 500 deverão ser incorporados até o fim de 2026 às equipes de soldagem, estamparia e pintura.

A expansão aproxima a estrutura industrial brasileira do desempenho comercial da marca. Enquanto o Dolphin Mini se destaca também nas vendas de varejo, os SUVs da família Song sustentam a presença da BYD entre os híbridos plug-in. A ampliação da fábrica será importante para dar suporte a esse volume e aumentar a participação das operações realizadas no Brasil.

Na prática, soldagem, pintura e estamparia representam um salto em relação à montagem de conjuntos trazidos do exterior. A soldagem une as partes que formam a carroceria; a pintura acrescenta os processos de proteção e acabamento; e a estamparia transforma chapas metálicas em componentes da estrutura do veículo.

O R7 Autos Carros acompanhou de perto a construção dos novos galpões quando a unidade alcançou a marca de 100 mil veículos montados. Agora, a conclusão das obras civis de soldagem e pintura abre caminho para a entrada dessas instalações em operação, após os testes e a preparação das equipes.

Isso não significa, porém, que os carros passarão a utilizar apenas componentes brasileiros. A nacionalização depende também do desenvolvimento de fornecedores e da incorporação de peças fabricadas no país. No balanço divulgado, a BYD não informou qual será o percentual de conteúdo local de seus veículos no início de 2027.

O anúncio também responde às discussões sobre a profundidade da operação industrial da empresa no Brasil. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil, afirma que a evolução do complexo contraria as críticas de que a fábrica permaneceria restrita à montagem de peças importadas. Segundo o executivo, os testes e a formação de equipes dedicadas fazem parte do cronograma de ampliação da produção local.

A transformação aparece também no quadro de funcionários. De acordo com a fabricante, Camaçari reúne 9 mil trabalhadores diretos, dos quais 90% são baianos, com maioria de moradores do próprio município. A BYD afirma já ser o segundo maior empregador industrial da Bahia e pretende encerrar dezembro com pelo menos 10 mil funcionários diretos.

A fábrica começou com um turno e passou a operar em dois no primeiro trimestre de 2026. O terceiro está previsto para entrar em funcionamento ainda neste ano. Quando estiver plenamente implantado, o projeto prevê até 20 mil empregos diretos e indiretos, incluindo fornecedores e serviços associados, embora a empresa não tenha detalhado um prazo para atingir esse total.

Depois de conquistar espaço nas vendas, a BYD terá em 2027 um novo marco para sua operação brasileira: colocar as novas estruturas em funcionamento e ampliar o conteúdo nacional de seus carros. O ritmo dessa mudança dependerá da conclusão dos testes, da entrada da estamparia e do desenvolvimento da cadeia local de fornecedores.

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