Câmara terá ao menos 42 deputados oriundos de forças de segurança, e Senado, 9
O número consta de levantamento da Folha que cruzou a ocupação declarada pelos candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com a relação dos eleitos e informações relativas a pleitos anteriores

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ANDRÉ FLEURY MORAES
A Câmara dos Deputados terá ao menos 42 parlamentares oriundos de forças de segurança durante a próxima legislatura, que vai de 2027 a 2030.
O número consta de levantamento da Folha que cruzou a ocupação declarada pelos candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com a relação dos eleitos e informações relativas a pleitos anteriores.
Os dados consideram policiais militares, policiais civis, membros das forças armadas, bombeiros militares e militares reformados.
A relação aponta para uma leve queda em relação a 2022, quando 44 candidatos à Câmara que pertenciam a alguma força de segurança saíram vitoriosos das urnas, segundo levantamentos da época.
Ao menos 29 dos 42 eleitos já ocupavam cargo eletivo no Congresso e foram reconduzidos às suas respectivas cadeiras. Nesta lista estão os deputados Capitão Augusto (PL-SP), Sargento Fahur (PL-PR) e General Girão (PL-RN).
Pelo menos dois, os deputados eleitos Subtenente Gonzaga (PL-MG) e Delegado Francischini (PL-PR), retornam à Câmara após serem derrotados nas urnas em eleições anteriores.
Outros dez chegarão ao Congresso pela primeira vez, lista que inclui o vereador de São Paulo Sargento Nantes (PL-SP) e o de Manaus Sargento Salazar (PL-AM).
Também estão na relação o ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso Coronel Roveri (PL-MT) e o ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro Felipe Curi.
Entre senadores o número é maior. Ao menos nove dos eleitos vieram de alguma das forças de segurança elencadas no levantamento da Folha. Segundo pesquisa do Instituto Sou da Paz, foram dois na eleição anterior.
O mais bem sucedido na disputa deste domingo (4) foi o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP), que angariou 13,2 milhões de votos e se tornou o senador mais votado da história do Brasil em números absolutos.
Depois dele vêm Ubiratan Sanderson (PL-RS), policial federal, e Styvenson Valentim (Podemos-RN), policial militar.
O aumento na relação de senadores que vêm de alguma força de segurança se explica pela própria dinâmica da eleição deste ano, que renovou dois terços da casa. Na anterior, a mudança atingiu apenas um terço.
Entre deputados estaduais o número parece mais modesto -em todo o Brasil há 27 candidatos eleitos que declararam ao TSE pertencer a alguma força de segurança-, mas o número é maior porque parte deles, sobretudo os reeleitos, registra a atual profissão já como "deputado", "deputada" ou mesmo "outros".
A quase estabilidade entre deputados federais e o aumento no número de senadores oriundos da segurança pública ocorre apesar da queda registrada entre candidatos do ramo nas eleições 2026.
O TSE aponta para 919 candidaturas registradas para os cargos de deputado federal, estadual ou distrital e de senadores. Em 2022, por sua vez, a mesma relação somava 1.425 candidatos.
O desenho do Senado para a legislatura que começa em fevereiro do ano que vem aponta também para uma maior influência da ala conservadora não apenas sobre a pauta a ser trabalhada no Congresso, mas também sobre as indicações do próximo presidente da República para cargos como ministros do Supremo ou de outros tribunais superiores --seja Lula (PT), seja Flávio Bolsonaro (PL) o próximo titular do Planalto.
Isso ocorrerá também para a Câmara. Dois dos mais votados, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), vêm de uma ala mais alinhada à direita.
DEPUTADOS ELEITOS ORIUNDOS DE FORÇAS DE SEEGURANÇA
Coronel Ulysses (União-AC)
Delegado Fabio Costa da Silva (PP-AL)
Sargento Salazar (PL-AM)
Capitão Alden (PL-BA)
Pastor Sargento Isidório (Avante-BA)
Alberto Fraga (PL-DF)
Josias Mario da Vitoria (PP-ES)
Coronel Ramalho (Republicanos-ES)
Adriana Accorsi (PT-GO)
Aluisio Mendes (Republicanos-MA)
Coronel Fernanda (PL-MT)
Jonildo de Assis (PL-MT)
Cesar Augusto Roveri (Podemos-MT)
Subtenente Gonzaga (PL-MG)
Junio Amaral (PL-MG)
Caporezzo (PL-MG)
Sargento Mello-Casal (PL-MG)
Delegada Ione (PL-MG)
Delegado Marcelo Freitas (União-MG)
Dr. Frederico (PL-MG)
Delegado Caveira (PL-PA)
Cabo Gilberto Silva (PL-PB)
Sargento Fahur (PL-PR)
Delegado Francischini (PL-PR)
Delegado Matheus Laiola (União-PR)
Delegado Charles (PV-PI)
General Pazuello (PL-RJ)
Delegado Felipe Curi (PP-RJ)
Sargento Gonçalves (PL-RN)
General Girão (PL-RN)
Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
Thiago Flores (União-RO)
Sargento Lima (PL-SC)
Capitão Augusto (PL-SP)
Coronel Telhada (PP-SP)
Sargento Nantes (PP-SP)
Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
Delegado Palumbo (Podemos-SP)
Delegado Bruno Lima (Podemos-SP)
Felipe Becari (Podemos-SP)
Capitão Samuel (União-SE)
Delegada Katarina (PSD-SE)
Senadores eleitos oriundos de forças de segurança
Guilherme Derrite (PP-SP)
Sanderson (PL-RS)
Dr. Fernando Máximo (PL-RO)
Nicoletti (PL-RR)
Carlos Jordy (PL-RJ)
Zé Medeiros (PL-MT)
Styvenson Valentim (Podemos-RN)
Delegado Alessandro (MDB-SE)
Capitão Contar (PL-MS)


