Caminhões elétricos serão mais de 60% das vendas em 10 anos

Veículos já alcançam mais de 1 mil quilômetros de autonomia

Por Marcos Camargo Jr.
Às

Caminhões elétricos serão mais de 60% das vendas em 10 anos

Depois de assumir protagonismo mundial na produção de carros elétricos, a China agora acelera a transformação do transporte pesado. O foco do governo chinês está na eletrificação de caminhões e veículos comerciais, um segmento historicamente dominado pelo diesel e considerado um dos mais difíceis de descarbonizar.

Durante o Auto China, o Farol da Bahia acompanhou de perto o avanço das fabricantes chinesas no setor. Marcas como GAC, GWM e FAW exibiram novas soluções para transporte pesado eletrificado. Além dos caminhões elétricos a bateria, a GWM também mostrou projetos voltados ao uso de hidrogênio em aplicações comerciais.

No evento, fabricantes como a FAW e GAC Lincheng apresentaram caminhões elétricos voltados ao transporte de longa distância, um segmento que até recentemente era considerado inviável para eletrificação em larga escala devido ao peso das baterias e à autonomia limitada.

Atualmente, os caminhões elétricos já representam cerca de 25% das vendas de veículos pesados novos na China. A maior parte ainda está concentrada em operações urbanas, logística regional e aplicações de curta distância, mas o governo chinês quer ampliar rapidamente essa participação para corredores rodoviários maiores e operações industriais mais complexas.

Em algumas regiões industriais do país, caminhões elétricos já começam a superar modelos movidos a diesel em determinadas operações urbanas. A combinação entre menor custo operacional, incentivos governamentais e expansão da infraestrutura de recarga vem acelerando a substituição da frota tradicional.

A estratégia faz parte do novo plano quinquenal da China voltado à redução de emissões e da dependência energética externa. O governo trabalha na ampliação da infraestrutura nacional para veículos comerciais eletrificados e pretende atingir mais de 10.700 quilômetros de corredores logísticos equipados com recarga ultrarrápida ou sistemas de troca rápida de baterias para caminhões.

As projeções da indústria indicam um crescimento ainda mais agressivo nos próximos anos. Analistas chineses estimam que os caminhões elétricos possam responder por até metade das vendas de veículos pesados no país já em 2028. Em um horizonte mais longo, estudos apontam participação próxima de 63% das vendas totais em cerca de dez anos.

Boa parte dessa expansão é sustentada pela redução do chamado “custo por quilômetro”, indicador que se tornou prioridade para empresas de logística e transportadoras chinesas. Com menor gasto energético, menos manutenção e redução do desgaste mecânico, muitos operadores já enxergam vantagens econômicas nos modelos elétricos em comparação com caminhões a diesel ou movidos a gás natural liquefeito (GNL).

A transformação também impulsiona a cadeia de baterias. A CATL, maior fabricante mundial do setor, inaugurou recentemente uma nova base industrial com capacidade de 60 GWh dedicada ao fornecimento de baterias para caminhões elétricos e sistemas de armazenamento de energia. O investimento faz parte da estratégia chinesa de verticalização da cadeia produtiva para veículos comerciais eletrificados.

Outro ponto considerado decisivo é a infraestrutura. A China vem ampliando corredores de recarga ultrarrápida específicos para caminhões pesados, além de estações automatizadas de troca de baterias. O objetivo é criar uma rede nacional capaz de atender rotas industriais, corredores logísticos e operações ligadas à exportação.

O movimento começa a chamar atenção também da indústria global de petróleo. Analistas internacionais avaliam que a eletrificação acelerada do transporte pesado pode antecipar o pico de consumo de diesel na China. Atualmente, o transporte rodoviário responde por aproximadamente dois terços da demanda chinesa pelo combustível.

Fabricantes chinesas Sany, Foton e Dongfeng também ampliam investimentos no setor e começam a direcionar exportações para mercados da Europa, Oriente Médio, América Latina e Sudeste Asiático. O avanço acontece enquanto fabricantes ocidentais ainda enfrentam dificuldades para acelerar a eletrificação de caminhões devido ao alto custo das baterias e à infraestrutura limitada em muitos países.

 

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