Candidato a deputado é preso pela 2ª vez em uma semana acusado por compra de votos em Roraima
Jalser Renier foi preso na própria casa durante a Operação Lemming

Foto: Divulgação/ALE-RR
O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), na manhã desta quinta-feira (1°), no município de Boa Vista, em Roraima. A prisão ocorre durante a Operação Lemming, por suspeita de crime eleitoral, compra de votos e associação criminosa nas eleições de 2026.
Durante a operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Boa Vista, Cantá e Caracaraí. Também foram determinadas medidas cautelares contra os investigados, que estão proibidos de manter contato entre eles, sacar valores em espécie, e tiveram bens e valores bloqueados no valor de R$ 4.228.100.
Jalser foi preso na própria casa e levado à sede da PF. As investigações indicam que o esquema teria o intuito de compra de votos de 12.175 eleitores, com previsão de pagamentos que somariam mais de R$ 4,2 milhões.
Os investigadores afirmaram que a estrutura seria usada para beneficiar a candidatura de Jalser a deputado estadual e também a candidatura da esposa dele, Tatyanne Aguilfera Padilha, a Dra. Taty (PSDB), que disputa uma vaga de deputada federal.
Confira a identidade dos apontados como responsáveis pela coordenação do esquema:
• Daniel Cavalcante Rigo – coordenador em Caracaraí, vinculado a 500 eleitores e R$ 250 mil;
• Itelvina da Costa Padilha – é mãe de Jalser e foi alvo de busca e apreensão;
• João dos Santos Moura – coordenador em Boa Vista, vinculado a 220 eleitores e R$ 66 mil;
• Marcio Jose Bergmann – apontado como coordenador no Cantá, vinculado a 600 eleitores e R$ 180 mil;
• Rosilany Maria Marques Pereira Stefanello – coordenadora de campanha, vinculada a 1.046 eleitores e R$ 313,8 mil;
• Rosineide Araujo Xavier – coordenadora em Boa Vista, vinculada a 470 eleitores e R$ 94 mil.
Essa é a segunda vez que Jalser é preso em uma semana. Anteriormente, no dia 24 de setembro, ele já havia sido preso em Boa Vista, por suspeita de compra de votos, quando policiais flagraram R$ 19,1 mil em dinheiro em um closet do candidato e planilhas relacionadas à campanha.
Os registros indicavam pagamentos individuais de R$ 200 a R$ 500 por eleitor, identificados pela sigla “BU”, associada à expressão “boca de urna”. Na ocasião, Jalser passou uma noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Ele passou por audiência de custódia, teve a prisão em flagrante homologada, mas foi liberado após ser submetido a medidas cautelares e pagamento de R$ 20 mil de fiança.
Jalser é ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), mas foi cassado após ser acusado de mandar sequestrar o jornalista Romano dos Anjos, em 2020. O investigado foi preso no dia 1° de outubro de 2021.
Por meio de nota, a defesa de Jalser Renier informou que a condução realizada decorre de uma decisão proferida em autos que tramitam sob segredo de justiça e que faz o possível para ter acesso integral ao processo.


