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Casa de Oxumarê conquista registro de marca após quase uma década de mobilização!

Reconhecimento fortalece a proteção da história, da memória e da ancestralidade de um dos mais antigos terreiros de Salvador

Por Michel Telles
Às

Atualizado
Casa de Oxumarê conquista registro de marca após quase uma década de mobilização!

Após quase uma década de mobilização e trâmites legais, o tradicional Ilê Axé Oxumarê conquistou o registro oficial de sua marca junto ao INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A decisão representa um marco importante para a proteção da identidade, da história e do legado de um dos mais antigos e respeitados terreiros da capital baiana.

Prestes a completar 190 anos de história, a Casa de Oxumarê é reconhecida como um espaço de resistência negra, preservação cultural e transmissão de saberes ancestrais. Fundado ainda no século XIX, o terreiro se consolidou como referência das religiões de matriz africana no Brasil, mantendo vivas tradições trazidas do continente africano e transmitidas por gerações do povo santo.

O processo para garantir o registro da marca levou cerca de nove anos e mobilizou lideranças religiosas e especialistas na defesa dos direitos das comunidades tradicionais. Para Babá Pecê, a conquista tem um significado que vai além do aspecto jurídico.“É mais um instrumento de proteção do nome, da história e da ancestralidade dessa casa”, celebra o babalorixá, destacando que a medida fortalece a preservação do legado construído por gerações.

De acordo com Hédio Silva Júnior, advogado e coordenador executivo do IDAF - Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras, o registro de marca é um direito das confissões religiosas e uma ferramenta estratégica para a proteção institucional dos terreiros. Segundo ele, é fundamental que casas tradicionais e também terreiros de médio porte que possuem reconhecimento em suas comunidades, formalizem esse registro. “A marca protege a comunidade e a memória da casa, além de evitar que pessoas utilizem indevidamente o nome do terreiro para aplicar golpes ou associar sua imagem sem qualquer vínculo com a instituição”, explica.

A conquista da Casa de Oxumarê chama atenção para um debate crescente entre lideranças religiosas sobre a importância da proteção jurídica do patrimônio simbólico das religiões de matriz africana. O registro representa uma vitória coletiva celebrada como um passo importante na valorização e no respeito às tradições afro-brasileiras. 

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