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Casos clínicos e decisões práticas: o que o Enamed cobra na avaliação da formação médica

A primeira edição do exame foi aplicada em 2025 e os resultados foram divulgados na segunda-feira (19).

Por FolhaPress
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Casos clínicos e decisões práticas: o que o Enamed cobra na avaliação da formação médica

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Enamed, exame do Ministério da Educação para avaliar a formação médica, cobra dos estudantes um conjunto amplo de competências clínicas, éticas e sociais consideradas essenciais para o exercício da profissão no Brasil.

Composta por 100 questões objetivas de múltipla escolha, a prova é baseada nas diretrizes curriculares nacionais do curso, prioriza situações práticas do cotidiano médico e a atuação no SUS (Sistema Único de Saúde), segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pela aplicação. 

O Enamed não avalia os estudantes por meio de perguntas diretas ou baseadas apenas em memorização. A prova é estruturada a partir de situações-problema, que simulam atendimentos reais e exigem do aluno a integração de conhecimentos clínicos, epidemiológicos e éticos.

A Folha analisou o caderno de questões de 2025 (disponível no site do Inep) e o conteúdo programático do exame. Os testes costumam apresentar casos clínicos longos, com descrição do contexto de atendimento, histórico do paciente, sinais e sintomas, dados de exame físico e, em alguns casos, resultados laboratoriais ou de imagem. A partir desse cenário, o estudante é chamado a decidir a melhor conduta, o diagnóstico provável ou o próximo passo no atendimento.

O QUE CAI NA PROVA

Em vez de perguntar, por exemplo, qual é a definição de uma doença, o exame coloca o candidato diante de um paciente hipotético atendido em uma unidade básica de saúde, pronto-socorro ou enfermaria hospitalar. O enunciado pode incluir informações sobre idade, sexo, condições socioeconômicas e acesso aos serviços de saúde, exigindo que o aluno considere não apenas o quadro clínico, mas também a realidade do SUS.

Entre os principais conteúdos cobrados está a clínica médica, com questões sobre diagnóstico e manejo de doenças prevalentes, como insuficiência cardíaca, diabetes, hipertensão e infecções. Também são frequentes situações que exigem interpretação de exames e definição de prioridades no atendimento ao paciente.

A prova inclui ainda uma parcela relevante de cirurgia, sobretudo voltada a urgências e emergências, como trauma, abdome agudo e atendimento inicial ao paciente grave. Nesse bloco, são avaliados conhecimentos básicos de conduta, estabilização e encaminhamento, mais do que técnicas cirúrgicas complexas.

E OS RESULTADOS? 

Na área de ginecologia e obstetrícia, o Enamed cobra temas ligados à saúde da mulher, pré-natal, parto e puerpério, com foco no reconhecimento de situações de risco, como pré-eclâmpsia, hemorragias e infecções. Já em pediatria, aparecem questões sobre desenvolvimento infantil, vacinação, doenças prevalentes na infância e condutas na atenção primária.

Outro eixo central da prova é a medicina de família e comunidade, que avalia a capacidade do estudante de atuar na atenção básica, utilizar protocolos do Ministério da Saúde e adotar práticas de prevenção e promoção da saúde. Questões sobre rastreamento de doenças, acompanhamento de pacientes crônicos e uso racional de exames são recorrentes.

O exame dedica ainda espaço à saúde coletiva, com cobrança de conteúdos de epidemiologia, vigilância em saúde e políticas públicas. Situações como surtos de dengue, organização da rede de atendimento e indicadores de saúde fazem parte do repertório avaliado, reforçando o papel do médico no planejamento e na resposta a problemas coletivos.

A saúde mental aparece em questões sobre depressão, ansiedade, uso de álcool e outras drogas, além da atuação na rede de atenção psicossocial. O Enamed avalia se o futuro médico reconhece sinais de sofrimento psíquico e sabe quando manejar o caso na atenção básica ou encaminhar para serviços especializados.

Há também questões de ética médica e legislação. Elas tratam de temas como sigilo profissional, autonomia do paciente, consentimento informado e limites da atuação médica. Nesses casos, o foco é verificar se o estudante compreende as responsabilidades legais e éticas da profissão.

A primeira edição do exame foi aplicada em 2025. Seus resultados foram divulgados nesta segunda-feira (19).

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