CCJ da Câmara adia debate sobre PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Discussão foi suspensa após abertura da Ordem do Dia no plenário da Câmara

Por Stephanie Ferreira
Às

Atualizado
CCJ da Câmara adia debate sobre PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, nesta terça-feira (9), a discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A análise foi interrompida após a Presidência da Câmara abrir a Ordem do Dia no plenário, o que suspende as deliberações nas comissões.

A proposta era o único item da pauta da reunião. O debate deve ser retomado nesta quarta-feira (10), e a expectativa é que o texto seja votado pela comissão ainda nesta semana.

Nesta etapa, os deputados analisam apenas a admissibilidade da proposta, ou seja, se ela pode continuar tramitando na Câmara. Se for aprovada na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, precisará criar uma comissão especial para discutir o mérito do texto. Só depois a PEC poderá ser levada ao plenário.

A proposta altera o artigo 228 da Constituição para estabelecer que a maioridade penal passa a ser atingida aos 16 anos. Atualmente, a Constituição determina que menores de 18 anos são inimputáveis e ficam sujeitos às normas da legislação especial.

Para avançar na CCJ, a proposta precisa de maioria simples. No plenário da Câmara, por se tratar de mudança na Constituição, o texto precisa do apoio de pelo menos 308 deputados, em dois turnos de votação.

O texto original também previa mudanças em regras eleitorais. Entre elas, tornava obrigatório o voto para maiores de 16 anos e reduzia a idade mínima para disputar cargos eletivos. Um cidadão poderia concorrer a vereador aos 16 anos. Hoje, a idade mínima é de 18.

A proposta também reduzia de 35 para 30 anos a idade mínima para disputar os cargos de presidente da República e senador. Para deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador, a idade mínima passaria de 21 para 18 anos.

No entanto, o relator da proposta, deputado Coronel Assis, do PL de Mato Grosso, retirou esses pontos do parecer. Segundo o parlamentar, os trechos tratavam de direitos políticos e não tinham relação direta com a imputabilidade penal, o que poderia violar o princípio da unidade de matéria.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário